quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sobre Meninos e Lobos




Essa é uma história sobre meninos que se tornam homens. Homens que ser tornam lobos e lobos que devoram meninos.

Uma trama densa, um filme gélido, acinzentado, onde a fotografia opaca e sem vida se mostra bela, porém distante. Um elenco competente, uma direção segura e uma trilha soberba fazem deste filme uma experiência intensa onde mergulhamos profundamente num universo de dor, vingança, ódio e violência. Um ciclo de maus tratos, onde tudo se repete e nada é capaz com que se quebre essa força. 

Jimmy (Sean Penn), Dave (Tim Robbis) e Sean (Kevin Bacon) são amigos de infância. Tudo segue normal até que um fato acontece. Um senhor que diz ser policial leva Dave consigo, ele afirma para os garotos que levará o menino para sua casa, já que os três estão fazendo bagunça na rua. Sem entenderem nada, as duas crianças não interferem em nada. Chamando aos seus pais e contando sobre o ocorrido, descobrem  o pior, mas agora já era tarde demais. Dave fora sequestrado, violentado e abusado sexualmente. Após esse ocorrido, anos se passam e cada um destes toma caminhos diferentes. 

Anos mais tarde um fato acontece e os uni novamente. Um crime ainda mais violento. A jovem filha de Jimmy, então com 19 anos, é encontrada morta e violentada. Tem-se então uma busca descontrolada para saber o autor do crime. Nesse contexto, estes três amigos se reencontram, mas agora a amizade entre eles não existem mais, e eles tem consciência disso. 

Jimmy é dono de um pequeno comércio e também chefe de uma pequena máfia local. Há tempos fora preso e condenado e desde de liberto, tem permanecido na linha. Porém, por fora, ainda controla o pequeno grupo familiar. Sean agora é agente do FBI e está encarregado do caso, juntamente com seu parceiro, Whitney (Laurence Fishburne) e por fim Dave agora é um homem formado, trabalha num emprego, é casado, tem um filho. Sem grandes ambições, apenas vive e segue vivendo sua vida. 




Diante desse crime, duas linhas de investigação são criadas. Uma, coordenada pelos agentes do FBI e outra pelos capangas de Jimmy. Após alguns fatos, as duas linhas se intercalam num mesmo sentido, num mesmo suspeito, no caso, Davi e aí que começa o grande do filme. Com essa rota nesse que fora um grande amigo, feridas do passado são revisitadas e tem-se nesse momento, toda uma carga de dor, ódio, rancor, e traumas que são revisitadas num momento de fragilidade e tensão. 

Toda violência gera um ato de violência. Esse é o eixo do filme. Toda ferida causada, sangra e não superada, gera um trauma, um confronto, uma dor sem fim e essa, uma hora ou outra, se choca com a realidade. É no passado que se obtém as respostas pra esse presente.Tanto o passado de Davi, como o de Jimmy possuem fragmentos marcados pela violência que serão revisitados neste presente.

De onde vem tanta violência? Não é desejo do filme responder. Como homens se tornam lobos e meninos se tornam assassinos. É como um lobo que ao morder sua vítima, não apenas o fere, mas o contamina com um veneno mordaz e letal. 

Sobre meninos e lobos toca justamente nesse ponto, a pedofilia. Apesar do filme ter como figura desse abusador uma velho, de aspecto horrendo que chega a causar repulsa, muitas vezes quebrando e não acertando o tipo de homem que é um abusador, o filme acerta na construção do mal gerado na vítima. Após o fato, Davi se retrai, se mantém numa eterna defesa. Sua fala, seu olhar e sua vida expressam sua dor. Talvez a ideia do diretor foi construir um abusador diante dos sentimentos despertados pelo garoto. Aquele velho que o abusou, aos olhos dele era um homem repugnante, asqueroso, nojento. 


O longa segue uma linha policial, a investigação segue, todos ficamos apreensivo quanto ao final e esse chega. O clima, a fotografia e a bela montagem, dando destaque para os pensamentos e lembranças do Davi, preso e fugindo numa floresta com um lobo a sua espreita, apenas intensificam o drama. 

O grande desse filme é sua carga dramática e seu elenco fenomenal onde todos conseguem se destacar. Um longa de atores, de diretor e de roteiro. Com ótimos diálogos em que encontra seu ápice ao final, Sobre Meninos e lobos fala sobre a dor que traumatiza, sobre a violência que provoca a violência, sobre o homem, como ele pode ser tão sádico, tão intenso e tão complexo. 

O lenhador é outro drama que trabalha com essa temática. Diferentemente deste Sobre meninos e lobos, esse filme foca na relação do pedófilo e tenta mostrar toda a complexidade desse homem, marcado por desejos que o perseguem e o afronta. O abuso sexual, em particular a pedofilia são tema delicados e ainda tabus. Como se dá esse desejo? Como se dá o processe de cura da criança? Estes são filmes que de certa forma, tentam compreender a dor por de traz de todo mal. 

Aqui em especial, uma personagem se destaca, uma personagem oculta, mas sempre presente, a violência. É ela que rege todos os personagens e suas ações. Sempre presente em nós, sempre presente em nossas mentes e corações.  






domingo, 6 de outubro de 2013

True Blood: 6 Temporada




Toda vida tem seu valor.

O que é a dor? Ela nos move, ela nos faz perceber a vida, a morte e tudo que nos cerca. Damos tanto valor a ela. O sofrer é algo que está no centro de nossas atenções. Queremos decifrar a dor, seus estágios, seus modos. Ora, ela faz parte da vida assim  como a morte, assim como a vida. Somos limitados, estamos sujeitos ao sofrer. Ninguém vive para sempre. Esse é o enredo do sexto ano de True Blood.

Mas o que dizer sobre a sexta temporada dessa série? Ela foi intensa e tensa, isso sem a menor sombra de dúvidas. Ousada e bizarra, ao mesmo tempo que foi extremamente violenta, foi também tão terna e sensível em certos momentos. Mas algo não deu certo, algo ficou a desejar. Ela teve inúmeras tramas que não tinham tempo a perder e mesmo diante de toda essa agilidade, conseguiu nos dar momentos de paz e calma para o seu derradeiro final. Mas ainda sim houve falhas.

Com uma temporada mais curta, a série chegou a sua sexta temporada, mas a impressão que ficou é que a série andou e andou e não chegou a lugar nenhum. Alguns personagens mudaram, outros permaneceram em sua mesmice. A impressão que fica é que a série não soube elevar seus personagens e suas tramas. Tudo ficou no mesmo. Seis anos se passaram e nada praticamente aconteceu. E a sétima temporada será a sua temporada final.

Mas o sexto ano também teve momentos bons, ainda nos trouxe momentos excelentes, únicos e bizarros também. Com uma história mais simples, os personagens voltaram ao centro da trama. O que importa agora não é mais uma grande trama envolvendo seres mitológicos ou algo parecido, apenas o homem e seus medos. E o que não foi esse sexto ano, se não um confronto contra aquilo que mais tememos.O sexto ano serviu de fato para arrumar a casa e trazer os bons ares ao seriado novamente. Tudo isso para preparar o terreno para a sua temporada final.

Após o final apocalíptico do quinto ano, a sexta temporada teve como função consertar tudo aquilo que não deu certo nas  temporadas anteriores e o saldo para essa missão foi positivo. Mas eis um problema: o reconhecimento que toda a história guiada até aqui não deu certo. Em True Blood sempre a fantasia teve um terreno fértil e forte, afinal precisamos do sonhar  para poder  viver. Essa era a ideia de Ball, trazer a imaginação e toda sua mitologia para este mundo e revelar que mesmo em toda imaginação, ainda sim não seriamos felizes. É a falta que nos move, que nos eleva e que nos torna pessoas melhores. Porém, diante de tanta fantasia, o que as pessoas sentiram falta foi da mais pura e simples realidade. 






Com a ascensão de Bill (Stephen Moyer), todos temem o que irá acontecer agora. Algo imprevisível aconteceu e eles não sabem como se comportar diante de tal fato. O que é Bill? Quais serão seus objetivos? Até que ponto vai seu poder? Esse é um arco que será desenvolvido por toda a temporada.

Por fora outro fato ganha importância. Com as inúmeras mortes dos humanos, o governo toma as rédeas da situação e declara guerra aos vampiros. Desde a primeira temporada, sempre houve um clima de tensão no ar, mas isso nunca de fato aconteceu, tirando apenas pela presença da Sociedade do Sol na segunda temporada e Marmie na quarta. Fora isso, nunca os humanos se levantaram contra os vampiros. Guerra, o sexto ano será uma verdadeira guerra declarada entre humanos e vampiros. Morte, levante e tentativas serão feitas, cada ato de violência provocará um outro ato mais forte ainda. Diante da dor, o que podemos fazer?

Os vampiros serão presos, perseguidos, confrontados e exterminados. Um campo de concentração será criado para estudos. Nesta temporada, haverá uma inversão de valores com relação a quinta temporada. Os vilões agora serão os próprios humanos. Não há heróis ou vilões de fato, há apenas homens e mulheres com seus medos e suas dores. Quais são os nossos limites e os nossos desejos mais profundos. O mal o bem caminham lado a lado de mãos dadas dentro de nós. Enquanto isso, Bill tentará compreender qual será seu objetivo em tudo isso e terá a ajuda de Jéssica (Deborah Ann Woll) nessa busca. Seu desejo de impedir o futuro o transformará num herói, porém, num forte vilão.

A missão de Bill e a guerra entre humanos e vampiros serão o centro da trama, mas por fora, os outros arcos vão correndo e fazendo pouco a pouco uma junção com o arco principal. Esse foi outro ponto positivo para o sexto ano. Desde a terceira, muitas foram as tramas, muitos foram os personagens e pouco foi a conexão com a história principal. Aqui não, todos serão interligados e no penúltimo episódio será mostrado apenas dois lados, de um os vampiros, e de do outro, os humanos.

Andy (Chris Bauer) e suas filhas fadas terão seus destinos cruzados com os de Jessica e Bill, assim como o arco de Sookie (Anna Paquin) , Jason (Ryan Kwanten) e Ben/Warlow (Robert Kazinsky) serão interligados ao de Liliht. Do outro lado, Erick (Alexander Skarsgård) e os outros vampiros serão alvos do Governador que estará a espreita caçando a todos os vampiros. Mas já na metade da temporada, essas duas tramas se cruzam e a verdadeira vilã dará as cartas. Sarah (Anna Camp), a esposa correta e religiosa devota é que estará por de traz de todos os passos do governador e ela que guiará os fatos finais.





Caminhando paralelamente a isso, temos Alcides (Joe Manganiello) e sua matilha de lobos em busca de se manterem unidos e longe das influências dos vampiros e cruzando o caminho deles estará Sam (Sam Trammell). Após fugir da Autoridade, Luna morre e ele fica com os cuidados de sua pequena filha, mas Marta deseja a garota, afinal, ela é a única família que lhe restou. Além disso, Nicole, uma garota idealista que acredita ferozmente na convivência entre humanos e vampiros descobrirá a identidade dos lobisomens e metamorfos e tentará convencê-los de se apresentarem à sociedade. Esse desejo e essa busca por uma vida pacífica apenas colocará sua vida em risco e provocará a morte de todos o seus amigos. 

Essas são as tramas que guiarão o sexto ano de True Blood. Dentre essas o arco do Bill fica confuso. Ora ele é um profeta, ora um semi-deus, ora um mensageiro. Sua função nunca fica clara, da mesma forma que a figura de Lilith. Quem de fato é essa vampira? Toda mitologia criada na quinta temporada era verdadeira? Junto a essa trama eis que aparece Warlow. 

Um dos vampiros mais antigos, se não o mais. Ele que é um ser da luz, ou seja uma fada, foi transformado ainda jovem por Lilith, no desejo dela de tentar fazer com que os vampiros pudessem andar sob o sol. Ele deseja mais do que tudo a Sookie e ela chegará como Ben. Se aproximará dela e tentará ganhar sua confiança. Esse foi um personagem interessante, pois ele representou essa mudança de valores, ser "vilão" ou "herói" é uma questão apenas de ponto de vista. Sobre Sookie descobrimos mais um detalhe sobre sua vida e seu passado. Ela descende de uma linhagem real de fadas e seu sangue é nobre, por isso o desejo de Warlow de tê-la.

Envolvendo o governador, está a melhor articulação e os melhores momentos. A ele se juntam todos os vampiros. A tentativa de Erick de finalizar essa guerra apenas desencadeará outros fatores. Nessa roda de acontecimentos, a filha do governador ganha importância na trama e simpatia, permanecendo até o final da temporada e sendo garantida na sétima temporada. Tara e Pam se destacam também, cada uma ao seu modo, Pam pelos ótimos comentários e Tara pela sua ousadia. Mas quem se destaca nesse arco é Sarah. 

Vista como uma boa religiosa e facilmente manipulada na segunda temporada, ela retorna a este sexto ano com força e muito ódio. Ela sem sombra de dúvidas, foi uma verdadeira vilã. A forma como ela mata a dona das fábricas de True Blood é uma mostra de sua loucura, perversidade e violência. A fé cega e serve de motivo para explorarmos o nosso lado mais sombrio e perigoso. 


A temporada que teve apenas 10 episódios tem sua trama principal sendo encerrada no penúltimo episódio. O último ficou por conta da finalização da trama envolvendo Sookie e Warlow. Mas o que se percebe é que se a série tivesse seus 12 convencionais, mas sobre esse vampiro iríamos ver. O que ficou ao final foi uma mudança de valores e sentimentos. Houve sentido, houve coerência, mas como sempre, a forma como a trama foi encerrada foi rápida e sem emoção. 

Toda vida tem seu valor, essa é ideia principal da série neste ano. A morte de um personagem querido revelou esse pensamento. Ninguém vive para sempre, por isso a vida tem tanto valor e como tal, deve ser respeitada. A dor está presente, assim como a raiva e o ódio. O bem o e mal caminham lado a lado dentro de nós, do mesmo personagem que pode vir um ato de carinho a afeição, pode vir um ato de dor e raiva. Assim somos nós, são os homens.

A sétima temporada será a última. Muitos arcos foram encerrados ainda neste, assim como núcleos de personagens que não deram certo. Os lobisomens e as fadas são um destes, assim os metamorfos. O eixo principal se dará entre vampiros e humanos, afinal, a série começou com essa ideia e será com esta que será encerrada. Ao final da temporada, temos de volta uma certa referência a primeira temporada e uma chamada para a temporada seguinte. 

A ideia da sétima temporada é forte, com a proliferação da Hepatite V, criada pelos humanos, muitos vampiros foram contaminados e eles procuram sangue sadio para matarem sua sede. Estão descontrolados e fora de si e são extremamente perigosos. A ideia é para cada vampiro sadio e um humano também com boa saúde e não contaminado, onde um dará seu sangue e o outro sua proteção. Uma ideia forte e ousada que representa bem a série. As diferenças existem e são elas que nos definem. O que podemos fazer? Nada, apenas aceitar e conviver da melhor forma possível. 




sábado, 24 de agosto de 2013

Touch - Temporada final




Todos estamos conectados, apenas esperando simplesmente sermos tocados. Touch nos mostra a história do pequeno Jake(David Mazouz), um garoto que tem a capacidade de perceber o mundo de uma forma diferente. Ele vê padrões numéricos e estes revelam a esse garoto todos os mistérios da vida. Sua função é conectar as pessoas, ajudá-las a superarem suas dores e seus medos. Se algo não está no seu caminho certo, seu toque promove a mudança, a cura e o reencontro. 

Após a primeria temporada, Martin (Kiefer Sutherland) consegue salvar seu filho, com a ajuda de Clea (Gugu Mbatha-Raw). A primeira temporada se encerra tendo bons episódios, mas se revelando desgatadas em alguns elementos. Ao final da temporada, conhecemos um pouco sobre a mitologia que rege a série. No caso, Jake pertence a um grupo de 36 justos. Estes existem para a permanência dos humanos na Terra. Eles conseguem sentir as dores dos outros e tem como função ajudá-los.

Na segunda temporada de Touch, o que se percebe é uma mudança brusca com relação ao formato da série. Não que isso tenha sido ruim, pelo contrário, deu um excelente fôlego ao seriado, mas ficou uma impressão estranha. Apesar de serem os mesmos personagens, ter o mesmo drama, a mesma mitologia, tudo está modificado, dando a sensação de que estamos vendo uma outra série completamente diferente. 

Após Martin deixar a cidade, fugindo da Artes Corps, vão em rumo para Los Angeles. Guiado por Jake, eles se deparam com Lucy (Maria Bello), mãe de Amélia (Saxon Sharbino) que ainda está em busca da filha, mesmo com as autoridades terem declarado que ela está morta. Após Martin se abrir para Lucy e dizer tudo o que sabe sobre sua filha, os dois então partem juntos com um único propósito: achar Amélia e destruir as organizações Aster Corps. Porém essa empreitada não será nada fácil, já que essa é uma organização poderosa com ligações em várias partes do mundo. 




Para esse segundo ano, além de Lucy, novos personagens são inseridos neste universo. Calvin (Lukas Hass) é um cientista que trabalha com números. Ligado a Aster Corps, vai se desligar da empresa. No começo da temporada, ele é mostrado como alguém com muitos segredos. Seu desejo no caso, é encontrar a sequência de Deus, um conjuntos de números que é capaz de responder aos grandes mistérios que regem a vida e até capaz de prever o futuro. Para isso, muitas de suas ações seram guiadas por atos não tão bons assim. Esse será um personagem que estará entre o certo o errado sempre. Suas atitudes são ambíguas, mas seus motivos nobres. 

Guilhermo Ortiz (Said Taghmaoui) é um sujeito que aparece aos poucos. Não conhecemos seus motivos e sobre ele, tudo será revelado aos poucos, de forma continua no decorrer da série. Mas sua presença é forte na trama. Ele tem como propósito elemiar os 36 justos. E é isso que faz. Chega, conquista a confiaça, releva sua missão e o mata. No segundo episódio da trama, Perto, sua presença foi forte, sua aproximação foi tensa e seu desfecho foi trágico. Com essa história, King mostrou que não teme matar seus personagens se isso for preciso. Uma lição que aprendeu em Heroes.Nessa gama de novos personanges, Ortiz é um dos mais ricos. Em suas tramas se concentraram os momentos de maior tensão até os momentos finais em que esteve.

Mas quem se destaca do começo ao fim dessa temporada é Lucy. Maria Bello é uma excelente atriz e em Touch prova isso. Ela encanta, conquista, mostra força e determinação. Consegue mostrar fraqueza e delicadeza de forma impressionante. Sempre estando presente em toda trama, a meu ver, ela de certa forma, roubou toda trama para si, até ofuscando o protagonista da série, Martin. A busca pela sua filha a levará a um caminho dificil e doloroso. Seu introsamento com Jake, sua postura e seu olhar, enfim, uma bela atuação. Infelizmente, ela não permanece até o final da temporada, deixando uma dúvida e colocando numa situação delicada Amélia. 

Amélia é reservada. Assim como Jake ela é capaz de prever os padrões. Ela e Jake estarão intimamente interligados. Cada um a seu modo, ajudará o outro. Ela é o outro achado da série. Sempre calada e fechada, ela se mostrará como uma garota que tenta ser forte, mas que ao final se revela normal, ou seja, frágil, como uma criança que necessita de proteção. A cena em que Lucy e Amélia se despedem é marcada por fortes diálogos e um intenso introsamento. 


É assim que Touch nos conquista em sua segunda temporada. Se na primeira, toda a trama esteve presa a personagens e com suas tramas paralelas que ao final se intercalavam. Para esse segundo, tudo está intimamente ligado a mitologia. Não há personagens que entram do nada e saem do nada, não há muitas histórias paralelas. Todos os personagens estão apenas ligados a mitologia da série, os 36 justos. 

O que se percebe é que no primeiro ano, o diretor ficou tão preocupado em mostrar como seria a série que esqueceu de mostrar o que é de fato esse garoto e como é sua história. Essa falha foi colocada como eixo princial na segunda temporada. Em compensação, os dramas dos "outros" que eram o destaque de Touch, saem de cena. Neste segundo ano a importância está sobre Jake, Astes Corps e toda a trama que os prende, ou seja, o resto perde importância. 

É essa mudança que ficou e que marcou. Talvez se o diretor tivesse dosado isso entre as duas temporadas, talvez teria dado mais ligação entre os dois anos. Mas em se tratando de roteiros, ao final da primeira temporada, pecebia-se um certo desgastes nas tramas. Elas não nos impactavam mais, mas nesse segundo ano, todos os episódios conseguiram marcar, conquistar e nos prender. O episódio que mostra o primeiro confronto entre Guilhermo e Jake é marcado por uma tensão do começo ao fim. Sabemos que algo vai acontecer e acontece. Assim como o drama vivido por Amélia e Lucy. Em todos os episódios, houve um trabalho mais elaborado com o roteiro envolvendo os personagens principais. A ideia não é mais simplesmente emocionar e mostrar uma ligação onde menos se poderia ter, mas apenas abordar esse personagens da melhor forma que se pode fazer, dando humanidade a eles. 

Humanização, essa é uma característica fundamental a todos. Todos foram guiados por algo, seja ambição, desejo de reparação, reconquista ou fé. Em todos os atos, haviam pessoas sendo movidas por sentimentos humanos. Nesse sentido, perde-se um pouco a noção do "vilão" e "herói".

A trama que se encerra na sua segunda temporada, não se renovando para uma terceiro ano, conseguiu dar um bom desfecho a todos os personagens. Faltou explicações, faltou mais dos personagens, faltou um pouco mais da mitologia, houve uma forte ausência daquela caracteristica fundamental que formou a série, "todos estamos interligados, esperando apenas sermos tocados", porém apesar de tudo isso, a série entregou uma trama bem elaborada e tocante.





domingo, 18 de agosto de 2013

The Bic C: Segunda Temporada




Laura Linney retorna para a segunda temporada dessa série parar dar vida novamente a simpática, engraçada e divertida Cathy, uma professora que descobre ter um cancêr em estágio terminal. E a partir dessa notícia, entra numa verdadeira busca louca por tentar viver a vida, ao mesmo tempo que tenta enfrentar a verdade sobre sua doença.

Cathy é uma professora que possui uma vida bem pacata, casada com Paul (Oliver Platt), ela tem um filho adolescente que vive dando trabalho a ela, Adam (Gabriel Basso) e um irmão ainda mais problemático, Sean (John Benjamin Hickey). Além dessa família disfuncional, há também Andréa (Gabourey Sidibe), uma aluna do colégio que se tornará o seu objetivo de vida.

Na primeira temporada, a vida dessa professora dá um giro de 360º ao descobrir o diagnóstico dessa doença. Sempre muito correta e tentando fazer o que é certo na vida, se vê diante de uma realidade pela qual não estava preparada. Diante disso, ela se nega, se nega ao tratamento, se nega a revelar essa verdade para sua família. Negação, é sobre isso que se dá toda primeira tempoda. Após inúmeras confusões, temos um final sensível e tocante. Um belo fechamento de temporada. 

Já a segunda temporada começa com Cathy fugindo ainda da morte, agora representada por Marlene (Phyllis Somerville). Mas agora, ao contrário de apenas correr, ela tenta bater de frente com a morte, ou sua doença e busca um tratamento. Um experimento realizado por um médico que vem dado ótimos resultados nos pacientes.Cathy coloca toda sua esperança nesse tratamento e ele começa a dar certo. Nesse momento ela sente a vida novamente pulsando em suas mãos. 

Mas não é apenas os dramas dessa professora que a série vai abordar. Outros personagens ganham mais presença neste segundo ano.Sean, ao se descobrir na possibilidade de ser pai, vai tentar ser o cara mais normal possível e Rebecca (Cintia Nixon) uma boa mãe. A relação dos dois será um dos alicerces mais engraçados da série. Afinal, The Bic C trabalha um tema forte, ligada ao drama, nesse sentido, alguns momentos de descontração virão de outros núcleos da série, e um destes será deste casal louco, porém, apaixonados.

Outra personagem que ganha peso é Andrea. Ela é direta e forte, na dela, sabe o que quer e não aceita ser feita de boba. Mas nem em todos os momentos somos assim, invencíveis. E com ela não será diferente. Ela vai conhecer um rapaz, um amigo do trabalho de Paul. Ele se interesserá por ela e Andrea vai responder a esse interesse. Porém, diante de tanta felicidade, nem tudo será flores. É interessante o modo como ela será incluída na trama e dentro da familia de Cathy. 

Adam é outro que irá viver muitas experiências, sendo estas boas e más ao mesmo tempo. A entrada de Popy em sua vida mostrará alguns elementos novos em sua vida e o retorno de sua namorada ao final da temporada, o fechamendo de um ciclo. 


Mas de todas as tramas, a de Cathy se sobressai.  Durante os experimentos, ela conhece Lee (Hugh Dancy). Ele, assim como ela, também possui um cancêr em estágio terminal. Porém, diferentemente dela, ele já aceitou sua vida, seu destino e sua morte. O que ele faz é apenas viver, viver o máximo que pode e esperar. Aceitação, esse é um processo dificil pelo qual essa professora terá que passar ainda. 

O momento de Cathy nesse instante é de raiva. Raiva porque redescobriu o prazer pela vida e é justamente nessa fase que ela terá que lutar pela sua saude. A busca por esses experimentos é uma das poucas chances que ela tem. Se não, a única. Ela tem pouco tempo de vida, e o tratamento sendo positivo para ela, será um sinal que há chances, que ela pode escapar dessa com vida. Raiva, é ela que guiará Cathy a buscar ajudar Lee, a Sean e Andrea. Sua vida está presa a ela e ela a quer manter junto dela o máximo possível.

The Bic C entregou uma segunda temporada ainda mais deliciosa e divertida. O que se percebe nesse segundo ano é que o drama  ganhou mais presença e a morte também. Seja pelo cancêr, por Lee ou pelo bebê de Rebecca. Para se ter a vida, se há a morte. Estes dois elementos caminham lado a lado. A morte é dolorosa, nos causa receio, medo e angústia. Por mais que venhamos viver, ainda sim, nunca estaremos preparados para ela de fato. 

E é nesse ponto que a série soube abordar. The Big C é uma comédia, é um drama, é a história sobre a vida de uma professora comum como a todos nós. Ela possui erros, falhas e acertos. Ela está com medo, medo do que lhe pode acontecer. Medo de não estar sempre presente. Todos nós temos medo, o medo nos move e a trama em seus doze episódios, soube abordar esse temor, sempre nunca esquecer o lado engraçado da vida.

Com um ótimo roteiro, e um belo uso da trilha sonora que nessa segunda temporada é muito bem usada, a série só teve ótimos momentos. The Bic C encanta, diverti e comove. Trabalha um tema espinhoso com respeito e dignidade. Mostra que a vida está aí. Que viver não é fácil, que a morte pode chegar a qualquer momento e que nada podemos fazer para mudar isso. Não podemos controlar o universo. Não podemos prever o amanhã, podemos apenas viver o hoje. 




sábado, 27 de julho de 2013

Eu e Tu




Lorenzo (Jacopo Olmo Antinori) tem 14 anos. É um garoto solitário e sem amigos, sempre calado e sussegado. Não encara a solidão como algo horrível, na verdade, ele nem liga muito para tudo isso. Acaba as aulas no colégio, ele se retira pra um canto do corredor e lá permanece apenas escutando músicas. Seus olhos viajam em sua solidão. Nada prende sua atenção.

Quando a escola está com planos de levar toda turma a umas férias para esquiar, Lorenzo mente para a mãe dizendo que irá, mas pega o dinheiro da viagem e gasta em matimentos. Sua ideia é passar essa semana inteira no sotão da casa sozinho, sem ninguém para o importunar. Esse é o seu desejo, uma semana longe de tudo, amigos, familia, professores ou qualquer ideia que possa se relacionar numa convivência com o "outro".

Tudo sai conforme o planejado até que Olivia (Tea Falco), sua meia-irmã por parte do pai, resolve aparecer pedindo ajuda. Ela está em processo de abstinência e precisa de um local para ficar. Os dois não tem uma convivência, na verdade, nem se conhecem. É nesse embate que de certa forma se entenderão. 

"Eu e Tu" é simples em sua estrutura. A história de dois jovens num local e que fazem desde alojamento todo o universo que eles precisam naquele momento. Essa retirada significa para ambos um refúgio, um esconderijo, um lugar de paz e sossego. Porém a presença do "outro" faz com que eles encarem à suas próprias falhas e medos. 
Nesse drama, apesar de reinar a simplicidade, alguns elementos fazem toda diferença. A figura do pai, apesar de ser sempre comentada, nunca se faz presente. Ora, um símbolo de autoritarismo, limites e imposição. Essa imagem não está ali, sua ideia sim, mas sua materialização não. Nesse sentido, estes dois jovens sempre ficam preso a esse pai que não está presente na vida deles, um medo real mas invisível. 

Essa fígura do pai despertará em cada um sentimentos diferentes, seja em Lorenso, partindo para uma admiração ou Olívia por uma renúncia. Cada um deles tem uma história diferente para com esse sujeito e cada um tem uma barreira em sua vida que precisa ser quebrada e enfrentada. Em Lorezenso é a incapacidade de se relacionar e o medo de viver, em Olivia são as droga e tudo o que ela pode representar. 

A figura da mãe de Lorenzo aparece pouco em cena, mas ela nos transmite uma ideia de superproteção, ao mesmo tempo que sugere elementos sexuais, isso se percebe pela conversa do filho para com a mãe. Por qual motivo esse assunto e esse diálogo foi inserido, fica a dúvida. Se bem que, o drama possui algumas falhas no roteiro, como o próprio personagem desse garoto. No começo do longa, numa conversa com um homem, algo fica meio que oculto sobre algo que aconteceu a Lorenzo, mas em nenhum momento da trama isso é revelado. 

Bernardo Bertolucci nos mostra aqui os dramas de uma juventude marcada ou pelo excesso de amor, ou pelo excesso de um autoritarismo e uma ausência. As mudanças que a vida pede, que ela exige eles a temem e fogem dela, seja pela solidão, ou pelas drogas. Lorenzo diante da irmã em processo de abstinência percebe a vida diante dos seus olhos. Olivia, diante do irmão, percebe uma chance para recomeçar. 

Após uma década, desde seu último trabalho, "Os Sonhadores", Bertolucci retorna aqui com uma produção mais simples, mas ainda sim, com seus olhos voltados aos jovens. Mas aqui não há mais as questões envolvendo política, jovens com posturas fortes e ousadas. Aqui há uma juventude com medo, receio, presa em seu mundo buscando uma ideia, uma pergunta, uma luta, enfim, uma vida. Tanto Lorenzo, quanto Olivia estão resguardados, com medo da vida, querendo, mas não sabendo como se exprimirem, por conta disso, se voltam para si em seus mundos criados por eles mesmo. Lorenzo em seu silêncio, onde não há vozes ou sujeitos e Olivia nas drogas, onde não há sensação ou medo. 

Com uma trilha sonora bem trabalhada, o longa tem uma boa edição e bem movimentado nas ações. A trama obedece aquela linha de estranhamento entre os dois sujeitos, um certo entrosamento e partindo para uma forte ligação. Alguns elementos poderiam ser trabalhados melhor no drama, como a relação do pai e como cada um se sente diante dele, ou como a vida de cada um seguiu e tomou rumos diferentes. 

Apesar disso, o diretor resolveu focar apenas no lado mais terno da relação entre estes dois irmãos que não se conhecem direito, mas que vê nessa possibilidade uma chance de se descobrirem e descobrirem o outro e perceber que em meio a tanta diferenças, entre eles há muitas semelhanças.



domingo, 30 de junho de 2013

A festa da Menina Morta


A fé nos cega ou somos nós que nos deixamos cegar por ela?

O “Festival da Menina Morta” se aproxima e todos estão envolvidos nesse evento. Uma comemoração religiosa marcada por mitos, fé, rituais e cantigas. Estamos numa região do Brasil afastada dos grandes centros. Uma região onde a pobreza tem forte presença, assim como a crença.

Neste pequeno vilarejo em que a pesca está como única fonte de renda, há Santinho (Daniel de Oliveira), um jovem que se diz santo e que é capaz de ouvir a voz da pequena menina morta. Essa voz é o espírito dessa garota que está a proteger a todos e que segundo os moradores locais, é capaz de realizar milagres, por meio de Santinho. Prestes a ser realizada a 20ª Festa da Menina Morta, ânimos serão exaltados, dúvidas serão postas e a dor da perda que se faz presente será vivenciada ao extremo.

Com direção de Matheus Nachtergaele, “A festa da menina morta”, tem um Daniel de Oliveira que encarna com profundidade, sinceridade e beleza o personagem Santinho, um jovem que diz ouvir a voz de uma menina há muito tempo morta e que se tornou santa após esse fato.

A partir dele, conheceremos um grupo de personagens marcados pela fé, pobreza, dor e amargura. Homens e mulheres que teem na expressão da religião, uma forma de se manterem vivos e intactos diante de tantas dificuldades.

Nesse drama sobre a religião, Nachtergaele nos apresenta um mundo onde a fé cega, mas a todo tempo ficamos a nos perguntar se todos esses personagens realmente estão cegos por ela, ou fingem acreditar em todos esses milagres. A figura do próprio Santinho representa e materializa essa dúvida, ele realmente acredita naquilo que fala ou não?



“Santinho” não tem carisma, é mimado, autoritário, perde a paciência fácil, é exigente e não pensa nos sentimentos dos outros. Sendo extremamente egoísta, tem tudo a que deseja. Seu pai, (Jackson Antunes) vive bêbado e a custas do filho. O rapaz vê as atitudes dele, porém não o cobra, pois tem uma admiração por ele que chega a ser um desejo sexual. A todo momento podemos perceber os olhos de Santinho sobre seu pai, e o mesmo retorno dele para com o jovem. Há uma forte relação marcada pelo incesto que faz com que Santinho perca sua própria indenidade, não sabendo o que realmente deseja e criando sobre o pai um ciúme que irá beirar uma possessão. Ele perde essa sua identidade de filho.

Apesar de toda aldeia perceber essa relação de pai e filho, todos o respeitam, exceto Tadeu (Juliano Cazaré). Ele é o irmão da menina morta em questão e ele ainda sente a dor da perda, e sofre ainda mais pela forma como ela é usada por muitos para obter proveito e regalias. Ele tem consciência que não há milagres, ou espírito ou vozes e se revolta diante de tanta crença. Percebe a mentira que acontece à frente dos seus olhos, mas nada pode fazer para mudar isso.

Durante todo o filme, questões envolvendo fé, desejo, incesto e pobreza serão mostradas. Alguns temas ficarão de forma clara, outros serão trabalhas indiretamente.  Mas diante de todos os temas, a fé é que chama mais a atenção. A visão que fica é a de dúvida, dúvida sobre Santinho, sobre o Festival, sobre todos?  A fé sobre Santinho é sempre mostrada, mas nunca duvidada, nada se confirma, porém, nada se nega. Isso nos faz questionar: ele realmente é santo ou fingi ser? Se não é, ele sabe o que está fazendo ou de tanto mentir para todos, acabou sendo enganado por ele mesmo? E todos que o conhecem, realmente são enganados de fato ou fingem que são para que a dor da verdade os assombre menos?


Dor, no fundo esse drama fala sobre a dor. Quando ela não vivida, não é vista de frente, todos precisam de uma forma de ocultá-la. Deixá-la ali no canto, não sendo vivenciada. É nesse momento que entra a fé, ela materializa essa dor não colocada de frente. Eles se fecham em seus “milagres” e se calam diante da vida. O único personagem a sentir e chorar é Tadeu. Ele representa esse enfrentamento. Porém, próximo ao final, Santinho também irá se deparar com uma verdade, uma dor particular, ligada ao abandono, a sua situação de filho e a sua condição de um rapaz comum. É nesse momento que se encontra o ápice deste drama, marcado por fortes diálogos, cenas e metáforas. No fim, Santinho fala sobre a dor, a dor que precisa ser vivida, vivenciada e expurgada, como um rio que flui e deve correr adiante.

Nesse drama, Nachtergaele aborda com ternura esses personagens. As imagens revelam todos esses homens em seus dilemas e medos. A câmera os mostra em suas intimidades. Os expõem em meio a dor, numa imagem crua, nua e voraz. Todos são expostos, não há beleza, há apenas a vida. Uma vida marcada pela dificuldade, pela pobreza e falta de perspectiva. Uma comunidade simples que tem na fé a força motriz da vida. 

Uma força que ora os guia para a verdade, ora os mantém presos a cegueira. A fé cega, a verdade nos liberta e a dor no move.



domingo, 9 de junho de 2013

Touch - 1º Temporada

 

Em Touch, Kiefer Sutherland é Martin, um homem viúvo que tem dificuldades em criar seu filho, Jake (David Mazous). Jake é uma criança especial. Com 11 anos de idade, nunca disse uma única palavra. Desde que a esposa de Martim morreu nos atentados 11 de setembro, ele tem a função de educar, sustentar e tentar criar laços  com seu filho, mas essa função tem sido cada vez mais difícil.

Trabalhando antigamente como jornalista, sempre estava em viagem e por conta disso, se sente culpado por não ter tido uma forte presença na vida de seu filho e por não ter passado mais tempo com a esposa. Essa é culpa que sente e que o faz pensar que Jake não se relacione com ele da forma como ele desejava. 

Mudando de emprego em emprego, nunca conseguiu ter uma relação boa com seu filho. Muito ligado a números, Jake sempre está a escrever sequências numéricas. Martin sempre via essa obsessão do filho, mas nunca pensou que nada de especial pudesse existir sobre esse fato. Porém, existe. 

Jake é um garoto especial, ele tem capacidade de perceber pelos números que nos cercam toda a conexão que rege a vida. Tudo está conectado. Esse é o lema da série. Pessoas das mais diversas, vivendo em lugares dos mais distintos estão todos interligados. Todos estão a espera de serem tocadas, de terem suas dores aliviadas e suas vidas mudadas, mas precisam de um fator determinante, uma ação de um "outro" que poderá modificar suas vidas. 

Jake tem essa capacidade de conectar a todos, de interligar e ele fará isso. Sua função é aliviar a dor das pessoas e concertar as falhas do universo. E terá na pessoa do seu pai, o sujeito que fará fisicamente essa mudança, essa ligação. 




A ideia é grande e ousada. Afinal, uma série que tem como lema uma conexão entre diversas pessoas, pelos motivos mais imperceptíveis é algo grande. Se o seriado começa bem, impactando e causando surpresas, sua continuidade perde força, expressão e torna-se normal. 

Mas ainda sim, suas histórias nos encantam, nos surpreendem, seja pela sua carga dramática, sensibilidade ou honestidade com que seus personagens e suas tramas são tratadas. Diversos personagens são interligados, sujeitos marcados pela vida, pela dor, pelo presente e que estão espalhados por vários cantos do mundo. Palestina, Israel, Iraque, Europa, Brasil.

No primeiro episódio conhecemos Jake e Martin. Ele tentando criar seu filho e seu filho tentando lhe dizer algo por meio dos números. Entra em cena Clea (Gugu Mbatha-Raw), uma assistente social que terá como objetivo avaliar a educação dada por Martin ao seu filho e se ele tem a capacidade de prover todos os cuidados necessários para a criação de Jake.

Conforme a trama vai avançado, tanto Martin quanto Clea percebem o dom de Jake e como ele consegue perceber os padrões que unem a todos e como por meio destes, ele se interage com o passado e o futuro.  De certa forma, tudo está coordenado a ser realizado, porém, algo dá errado e a vida não segue o seu curso corretamente, então Jake entra em cena para refazer o fluxo da vida. A teoria que rege essa série está ligada a vários campos, que vão de religião a mais pura astrologia. 




Aos 12 episódios, conheceremos pessoas que voltarão ou não à trama. Pessoas simples, marcantes, dotadas de sensibilidade. Algumas tramas nos encantam, outras não chegam a impressionar, porém outras nos surpreendem. A cada episódio conhecemos mais sobre a mitologia da série e sobre quem de fato é Jake e qual a sua função nessa terra. Assim como também conhecemos uma possível organização que vai ganhando força e presença e se torna a principal vilã desta história. 

Quem são? Não sabemos corretamente, só é revelado algo, eles teem conhecimento dos dons de Jake e o querem e para isso, farão de tudo. O episódio final não tem a força do seu piloto, mas encanta, e nos entrega um fim de temporada marcado pela sensibilidade. 

Touch, com criação de Tim Kring, e direção executiva de Kiefer Sutherland, aposta nos dramas humanos, nas histórias de pessoas desconhecidas, e por meio de Jake, podemos conhecer melhor suas tramas. Talvez o mais interessante aqui não é de fato o dom desse pequeno garoto e sua missão de aliviar a dor do mundo, mas estas pessoas em si. O bombeiro que se sente culpado por não conseguir salvar uma mulher. Um jovem executivo que após sofrer um acidente, se sente na obrigação de realizar algo, ainda que esse “algo” ele não saiba. A garota que sofre uma desilusão amorosa, mas que por meio da internet promove uma total união entre pessoas do mundo todo, pela tentativa de juntar dois jovens que se amam. Um pai que busca constantemente uma celular, que trafega por vários cantos do mundo. Seu desejo é rever as poucas fotos que restam de sua filha, que há anos morrera. 

Estas pessoas que trafegam por essa trama são pessoas, homens e mulheres dotados do mais puro sentimento e que se tornam protagonistas nesse seriado. Com o avançar da trama, Jake ganha destaque, assim como Martin e Clea e suas dores e seu passado também ganham presença. 

Ao fim da temporada, uma nova personagem entra em cena, outros saem e a busca por compreender essa missão ao qual Jake está incumbido, continua. A série, infelizmente, devido a baixa audiência, foi cancelada ainda em sua segunda temporada. Uma pena, porém ainda sim, é uma série rica, com suas falhas, mas também, com seus acertos.
 Uma trama envolvida nas probabilidades, nas sequências numéricas, nos padrões e que revelam homens, simplesmente as pessoas em suas vidas, tentando viver seus medos e seus sonhos.