Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Certezas ...

Que haja sabedoria para compreender os momentos que nos cercam, aceitar as dores da vida, mudar o que estiver errado, recomeçar quando as circunstâncias pedirem.

Mudar nem sempre é bem vindo, afinal seguir uma rota, um caminho já é difícil, não diria segui-lo, mas encontrá-lo, pior é perceber que este não era o certo. O sentimento que fica é de amargura e desolação.

Recomeçar é doloroso, é cansativo, os primeiros passos até podem serem interessantes, porém refazê-los não é nada satisfatório. Mas há o lado bom, sempre há, sempre terá que haver, assim esperamos. Perceber nuances, detalhes e momentos ao refazer atos. Não caímos nas mesmas ciladas e vemos tudo com outros olhares, um olhar mais perceptivo e profundo.

A vida é um eterno aprendizado, esse é o lado bom, a parte chata, bom, é aquele sentimento que sempre percorrerá nossa alma, uma sensação de repetição não muito agradável, uma sensação de perca, desperdício ou palavras do gênero.

Que haja ternura para com os erros, verdade sobre as mentiras, certeza sobre as dúvidas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Medos

Uma carta lançada ao vento sobrevoou tantos metros e caiu sobre o chão de uma praça. Um jovem andava por ela e a avistou por entre a vegetação tão rala e morta devido ao forte inverno daquela estação. O dia estava acinzentado. O sol já não mais esquentava, estava lá nos céus por obrigação. O vento soprava forte, um sentimento tão triste pareava sobre aquela praça. Ele foi à direção daquela carta. A abriu com toda a delicadeza. Nela, palavras rasuradas, reescritas, manchadas. Uma escrita difícil, torta, sobre uma tinta preta declarava palavras desconexas.

Palavras, palavras. Um pequeno papel expressava tanta dor. Tanta sinceridade havia naquela carta. Tanto desejo de luta. Ele se viu envolvido com aquela dor. Ele fechou os olhos e imaginou essa pessoa. Um vento gelado veio sobre ele. Sentiu a morte passando por si. O som do vento e do nada o atemorizou. Nada, nada, nada, essa palavra jazia em seus pensamentos. Um vazio, uma escuridão. A ausência de toda ideia, todo sentimento, tudo o que poderia pensar ou não em existir.

Morrer, viver, sofrer, sentir. Verbos em ação que se conjugam com tanta facilidade e se vivem com tanta dificuldade. Morrer, esquecer, terminar um sofrimento contínuo. Viver sem medo, Sofrer por amor e pela dor, pela alegria e tristeza, pelo desejo e ressentimento. Sentir tensão e prazer, fobia e calmaria.

Presos a vida, estamos inseridos a fazer escolhas e a nos arrepender por elas. E esse sentimento é terrível, agonizante, nos confronta a cada segundo, minuto, horas, dias e anos. Se eu tivesse feito isso, por que fiz aquilo? Somos movidos por remorsos e medos de errarmos. Arrependimento que dura uma eternidade, que até nos últimos segundos de nossos suspiros se levantam contra nós. O tempo é massacrante, ele nos rouba tudo o que possuímos: nossas esperanças, sonhos, projetos e vida. Quando éramos crianças, imaginávamos o que poderíamos ser, o céus era o nosso limite, ou não. Crescemos, caímos, erramos e chegamos e não chegamos. Quando pensamos no amanhã vem o medo, pois o tempo já não é mais o mesmo. Se antes estava ao nosso favor, agora luta contra nós.

Existe uma dor que é mortal, que nos fere e simplesmente nos arranca toda vontade de viver. Sua ferida não cicatriza, mas pelo contrário, sangra constantemente sem cessar. Por mais que tentamos, ela insiste em ferir, doer e nos fazer sofrer. A desilusão da vida, a perca da esperança. Simplesmente a perca dos objetivos. A morte já é um mistério, mas talvez também um conforto.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Janelas

Numa janela vejo o horizonte que me cerca. Olhando vejo um mundo, olho o céu, ele está tão esplêndido. O dia reina tão belamente. Cores e tons cobrem o dia.

Apenas vejo, vejo e me perco. Com um suspiro de lamento apenas observo. Observo e vejo a vida a passar como um rio que segue seu destino e não volta.

O arrependimento parece como uma sombra tentando nos devorar e o tempo como um tic-tac que vai tragando toda nossa essência. Um sorriso brota dos meus lábios, então vejo, faço parte desse cenário, não dos que participam, mas daqueles que observam.

Fecho os olhos e apenas sinto um silêncio, abro os olhos novamente e lá está o horizonte ainda intocável e eu atrás da janela apenas observando.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dias contínuos

Todos buscamos por algo, por um sonho, por uma prece, por sermos ouvidos, amados, aceitos ou compreendidos. Caminhamos, mas sem saber a que caminho essa trilha nos levará. A dor está sempre presente, o medo e o receio de viver e morrer também. Lutamos, falhamos, choramos, levantamos, sonhamos e desejamos como uma árvore em meio a um deserto. Folhas de morte, frutos de dor, aroma pesado, beleza estagnaste e sufocante.

Crescer é doloroso. Escolher, sacrificar, ver e reconhecer é uma das lições mais difíceis. O que temos? Por que assim sofremos? Os caminhos de Deus são misteriosos, diria o coração mais convicto em Deus. A vida é assim, as coisas simplesmente são assim, só basta aceitarmos, diria a vã psicologia que sempre tenta nos dar uma reposta para aquilo que já sabemos, mas simplesmente nunca queremos aceitar. Torna-te quem tu és. Mas se aquilo que somos causa-nos repulsa, medo, dor e angústia. Como então?

Viver pode ser um longo e triste martírio sem fim. A música que toca é tão triste e tão amarga, porém tão bela e envolvente que nos leva a buscarmos, lutarmos e vivermos. Hoje estou triste, amargurado, amanhã, talvez não. Os sentimentos são tão instáveis quanto as ondas do mar.

Sossego, essa é uma palavra que simplesmente eu não entendo, assim como a alegria, o desejo, o medo, a ansiedade, a raiva e ódio. Prazer, o que é o prazer se não uma mistura de sensações e sentimentos, toques e desejos. Sentimentos tao abstratos, mas tão presentes.

As folhas brotam e o sol reaparece, conjuntamente com a simplicidade da vida, com o aroma do dia, como um brilho, como águas de um imenso mar que quebram o silêncio da alma mais entristecida e infinita do mundo. Essas ondas preenchem e assume a direção e nos faz esquecer aqueles momentos e instantes em que o cansaço já havia nos vencido e nos impedido de superarmos as marés e as tempestades.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Silêncio

O dia amanhece. Ainda é cedo. O despertador me acorda. Abro os olhos. Passam-se alguns segundos. Todo o dia passa diante dos meus olhos. Um receio que se mistura com uma forte angústia toma conta de mim. Desejo ficar deitado, apenas fechar os olhos, até que o mundo desaparecesse por completo. Sem responsabilidades, sem necessidades, sentir a vida, simplesmente ter a necessidade de viver. Por que tenho que levantar, me vestir, enfrentar o cotidiano e não posso ficar simplesmente aqui, agora, simplesmente assim?

Após devanear por alguns segundos, volto a mim, é hora de levantar. Levando, caminho pelo quarto, ligo o chuveiro, a água ainda está fria. Entro debaixo das águas, ela começa a esquentar. Fecho os olhos e apenas sinto ela caindo sobre mim. Me visto, deixo tudo espalhado pelo chão, vou a cozinha, olho tudo a volta, procuro algo, não encontro então saio. Caminho, mas ainda é cedo, passo por pessoas, pelos ares, pelo silêncio, todos estão tão preocupados, e eu, não deveria estar? Não sei, as vezes acho que sou meio desligado. Chego ao trabalho, levanto a cabeça e então entro.

É hora do almoço. Saio, entro em um restaurante, há tantas pessoas, tantas vozes. Sento, almoço. Meus olhos passam a ficar vidrados num quadro na parede. Não compreendo bem, mas sinto que ele me entende, mas ainda não o entendo. As pessoas continuam conversando, conversam sobre tudo, tudo e todos, mas ninguém repara o quadro. Apenas eu o noto. Levando da mesa, saio do restaurante e então vou caminhar. Por uma praça ando, sinto o vento. Há uma paz nesse local. Nada me preocupa agora.

Caminho, então começo a pensar em tudo posso fazer em minha vida, como os céus são simplesmente o limite. Penso no que irei fazer semestre que vem, o que irei faze hoje ou amanhã, começo a fazer planos, e mais planos. Ah, são tantas coisas para fazer, mas por um momento eu paro, olho tudo a minha volta, tudo, tudo. Tudo passa a me olhar então, como se tivessem me espionando e reparando a minha vida.

Sinto um calafrio, uma angústia, não sinto nada, nada, nada em minha vida. Penso, vou... não sei...amanhã será um novo dia. Vou... é sim...ainda é cedo, vou esperar esse ano, não, esse semestre, é, tudo pode ser diferente, tudo vai ser diferente. É, sim, tudo, tudo. Continuo andando, caminhando, pensando, refletindo. Chego a novas e várias ideias, vários planos, mas nenhum tenho certeza se realizará.

Chega a noite, entro em casa. Há um silêncio tão profundo. Acendo as luzes, vou para cozinha, abro a geladeira, procuro, mas não sei o que exatamente. Ligo o rádio, então paro, o desligo logo em seguida, então ligo a TV, aumento o volume, jogo o controle em qualquer lugar. Vou para o banheiro, ligo o chuveiro, entro debaixo da água, uma água tão quente, tão relaxante, fecho os olhos e apenas sinto ela caindo sobre o meu corpo. Não penso em mais nada, na vida, no trabalho ou nos meus planos, nada, tudo some.

Permaneço durantes horas, saio do banho, então vou jantar. A TV, deixo ainda ligada. A sala e cozinha são invadidas por esse som. Após isso, vou para o quarto. Arrumo minhas coisas, dou uma organizada, arrumo meu despertador, troco de roupa, pego um livro, começo a ler, leio, folheio-o, jogo no chão e então deito, estou tão cansado. Amanhã será um novo dia. Programo a televisão para desligar daqui algumas horas, me deito, fecho os olhos procurando o sono, ele não vem. Começo a imaginar minha vida diferente, o sono começa a chegar, levemente toma conta de mim e simplesmente fecho os olhos e durmo. O dia termina e outro virá, porém não muito diferente desse, sinto apenas o silêncio.

Estruturas perpendiculares

Um sino toca, um som alto e bem forte chama a atenção de todos. A igreja no centro da cidade demarca meia-noite. Os jovens já estão em seus lares, os velhos estão num mais profundo sono, as esposas dormem e os seus maridos sonham.

Uma calma percorre as ruas desta pequena cidade. Um canto repleto de silêncios prevale sobre o centro desta cidade.

Todos estão bem, todos estão bem. Em seus lares, em suas casas. Não há nada com que se preocupar, não há nada com que temer.

O céu está estrelado e escuro. A lua já não apareceu. Um clima frio e sedutor paira sobre o campo, já é meia-noite, hora em que se inicia um dia e encerra-se outro. Já não há mais nada o que temer, já não há mais nada com que se preocupar. A vida é simples e tão bela em sua simplicidade.

Os jovens em suas casas desejam viver, os velhos apenas descansar, as esposas um pouco de atenção e os maridos desejam ardentemente uma traição. Tudo é simples, calmo, tranquilo. Uma leveza guiam esses homens, esta cidade.

Em meu quarto deito e penso, imagino e uma ligeira tristeza toma conta de mim. Mas na vida tudo passa e a ideia desta pequena e simples cidade com suas pequenas ruas, seu centro calmo e seus campos gélidos permancem em minha mente, em minha imaginação.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um minuto de silêncio

Um minuto de silêncio, por favor, eu lhe peço. Um momento de reflexão, um momento para fechar meus olhos e tentar compreender o mundo que me cerca.
Um segundo ou talvez uma hora para eu possa ficar de olhos fechados, apenas imaginando, apenas tentando entender meus pensamentos, meus sentimentos, meus receios e planos que se perderam, que simplesmente, não deram certo.
O mundo gira, as horas passam, as lembram se vão, os sonhos morrem, tudo de uma forma tão acelerada. Ontem tinha cinco, hoje tenho vinte e cinco, amanha já terei cinqüenta. É tanta informação, são tantos desejos, tantas metas, eu me perco, eu me perco, me lamento, paro e penso, mas não consigo, não consigo entender.
Tudo tem estar de acordo, mas não tenho controle de nada, tudo tem que seguir conforme o planejado: uma faculdade aos vinte e dois, uma pós aos vinte e quatro, um mestrado antes dos trinta e um doutorado antes dos quarenta e, além disso tudo, tem que haver a vida, sendo vivida, experimentada, sofrida, por fim, sentida. Mas não, nada se concretiza dessa forma, tento refazer os planos, porém percebo mais do que nunca que não, eu não tenho o controle de nada e essa falta de controle me desespera, me atemoriza, me silencia.
Um minuto de silêncio é o que peço para tentar compreender esse mundo louco que me cerca e esses meus pensamentos e imperfeições que me fazem ser quem sou

sábado, 16 de abril de 2011

Passos

Com passos resgurdados, lentos e receosos, caminhamos.
Um sopro de vida, um fresco de liberdade. Pensamentos desconexos, semblantes perdidos.

A noite vem, o dia chega, os anos rodam, a vida prevalece. Passo e mais passos, em busca de algo que nos complete, que nos comova, que nos choque.

Olhares inseguros, sentimentos brandos, vidas vazias

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Porque eu gosto

Gosto do luar e da noite, pois ela é mais terna e mais gostosa, o céu é estrelado e a lua mais cintilante, as paisagens são mais escuras e a verdade encoberta.

Gosto de sentar no chão, na terra, no gramado, e admirar o horizonte e imaginar inúmeras histórias e aventuras que um dia poderei viver. A noite já é agradável e os pensamentos fluem de uma forma tão simples. Do horizonte, do alto de um morro, vejo a cidade, vejo as luzes das casas, das ruas e nelas há tanta simplicidade, há tanta ternura. Sinto uma paz calma e rara, um sentimento de descanso, posso fechar os olhos e me tranquilizar.

Gosto do frio e das brumas, do vento gelado e doa dia ensolarado que seja tão frio que congele e empalideça a alma, os lábios e as mãos. Gosto de acordar cedo e sentir esse frio tão intenso que chega a causar até ardor. Gosto de um café, do seu aroma, do seu forte e inconfundível sabor, enfim, gosto do inverno e do que ele pode me proporcionar.

Gosto de imaginar mundos, histórias, vidas e pessoas meigas, fortes, duras e tristes, vivendo a deriva e perdidas. Gosto dos finais tristes, das mortes trágicas, da dor que resiste e da aceitação que prevalece. Gostos dos livros com personagens fora do comum, vagando pela vidas, com seus problemas, com suas dores, com seus erros. Gostos de histórias que tentam me repassar algo, sem esse algo estar muito claro, nada didático, nada fácil. Sei o que é certo e também compreendo o que é errado e não preciso de um conto, de uma narração para perceber isso, mas desejo ver uma história que me confronte, que me ouse e me faça enxergar o que não poderia ver com total clareza.

Gosto do som que me acalma e me tranquiliza, que me faça viajar por sentimentos extremos e dolorosos.
Gosto do céu, do mar, da chuva, do frio, do sol, menos do calor. Gosto da dor, do prazer, da tristeza, da amargura, da felicidade, da alegria, menos da eternidade. Gosto porque gosto e não tento entender a razão para gostar do preto, ao invés do vermelho, do drama, ao invés da comédia, é simples como viver, eu gosto porque gosto


terça-feira, 22 de março de 2011

Tudo é muito complicado



Lendo uma coluna no jornal de um domingo da Folha de Londrina, na seção Folha 2, havia uma leitora perguntando para a colunista se deveria se encontrar com um jovem que já faziam tempos que estavam conversando pela internet. Trocaram fotos, pensamentos e gostos, mas ainda estava com receio, se ele poderia achá-la meio fofinha e por conta disso, não continuar essa pouca relação que tinham.

Lendo, pensei, será que ela pediu para que essa informação ficasse em off, pois uma coisa é fato, sempre quando falar algo para um jornalista, diga isso, pois se não, o assunto torna-se em material e personagem principal de reportagem da semana.

A idéia a que cheguei é como somos frágeis, temos medo de tudo, até de levar um não por alguém que nem conhecemos realmente. Ousadia não é para todos e os que têm, a usam exacerbadamente, e isso também não é saudável.

Outro dia, vendo um filme, Amor aos pedaços, percebi que tudo é tão complicado, estar com alguém, esquecer de outro alguém, começar com alguém. É realmente complicado, ou somos nós que complicamos tudo. Eu penso pela segunda hipótese. Como sempre, temos medo, e então por isso, agimos complexando todos os detalhes que podem surgir em nossas vidas: um emprego, uma carreira, uma continuidade, um caminho a seguir, uma amizade, uma possível relação.

E o pior de tudo isso é perceber esses detalhes vendo um filme, já não basta a vida diante dos meus olhos, é, o ditado popular cai bem aqui, o pior cego é aquele que não quer ver.


 

domingo, 20 de março de 2011

Sossego

Nas paredes escuras brotam um silêncio. Um silêncio que traz paz, mansidão. Nas águas da chuva que caem sobre o solo negro, calmo e tranqüilo traz um som terno, cúmplice, suave e doce.
Nos lugares há um vazio. Um vazio que preenche. Soa irônico, contraditório. Mas fecho os olhos e me sinto vivo, cheio, completo. Meus pensamentos trafegam por entre outros inúmeros pensamentos. Trabalhar, estudar. Tantas outras coisas a mais para fazer. Planejar, planejar e planejar. Seguir sem percurso.
De repente, toda a sensação de paz dá lugar a um som perturbador, errado. Errado por quebrar esse sossego e destoar os pensamentos. O som do rádio passa a ecoar eu o noto novamente. Se antes ouvia apenas o som por traz do silêncio, agora volto os meus ouvidos a esse aparelho. A melodia é tranqüila. A letra, bom, eu não compreendo, pois está em outra língua. Mas é algo gostoso, mexe com as emoções. Talvez uma canção de auto-ajuda, talvez não.
O som irritante vem novamente. Há inúmeras sensações, pensamentos, sentimentos que pode-se simplesmente perceber ou sentir. A luz fraca, o jogo de sombras fortes detalham e expressam uma madrugada calma, sossegada, chuvosa e penetrante. Sem vozes, sem palavras. 

Minta para mim

Minta para mim, que as coisas ficarão bem ao fim de tudo, que todas as lágrimas serão compensadas. Que todas as dores vividas serão gotas num oceano de felicidades, que a morte não é melhor que a vida.

Minta para mim, que em meio a tanta raiva há algum sentimento por pouco que seja de compaixão e confiança. Que a solidariedade é vivida e praticada por todos. Que todos somos iguais e vivemos o pleno direito dessa igualdade e da vida. Que não há injustiça nesse mundo, que não há preconceito e que todos podem viver em liberdade. Que não há desgraça nessa Terra ou atos que nos mostram como somo monstros e selvagens. Que nos comovemos com que esta ao nosso lado.

Minta para mim, que ser forte é saber reconhecer o erro e que estes não pisam ou eliminam os mais fracos, que as madrugadas não dormidas devido ao trabalho não serão cobradas mais adiante. Que o passado encontra-se bem no fundo de nossas histórias e que jamais essas lembranças serão retiradas de lá. Minta para mim, que a dor nos fortalece, nos ensina e nos torna mais sábios e maduros.

Como um barco em meio a uma tempestade com um céu cinzento e fortes águas batendo sobre este, mas mesmo diante disso, ele não será derrubado. Que passarei pelo vale da sombra da morte e sairei intocável e mais forte do que nunca. Que a felicidade é alcançável e não apenas uma palavra. Que a morte é apenas um fim e que não devemos temê-la.

Minta para mim, que é melhor a verdade do que a ilusão, a razão do que a mentira e a certeza do que a dúvida, pois a verdade é dolorosa, é nua e crua. Mal qual é a diferença? Isso já não tem importância. Para que a viver sob o prisma da verdade se a ilusão é melhor e nos conforta. 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Era uma vez..


Um mundo sem vida. Um som sem notas. Um mar sem águas. Um céu sem nuvens engraçadas.  Tudo tão sem graça. O que era colorido ficou no preto sobre o branco. O jardim que antes era florido, agora está morto. As águas que eram límpidas, hoje são sujas. O que aconteceu a esse mundo? Perdeu-se a inocência, descobriu-se a vida.
Se a inocência significa pureza, o que nos acontece quando crescemos? O tempo nos rouba não apenas a juventude, mas também a fé e a confiança. Como um tic-tac de um relógio sem fim. Ele nos persegue, o tempo nos persegue. Corremos, lutamos, bradamos, porém aos poucos o cinza toma conta do vermelho e o preto escurece tudo. Nos cega e nos deixa perdidos. Os que queríamos ser, já não queremos mais e o que somos já não sabemos se seremos amanhã. A cegueira nos afetou.

Desejos intensos


Numa explosão de desejos, ela saiu pela noite. Seu objetivo era simplesmente viver. Caminhou procurando vida, seus olhos mostravam ansiedade. Um desejo louco por sexo, misturado a uma euforia que a tomaram. Queria devorar e ser devorada por seus instintos loucos e prazerosos. A noite apenas estava começando. Pelas ruas vazias ela caminhava sozinha. Muitos podiam afirmar que ela solitária, mas não, podia ser tudo, menos solitária. Caminhou, andou por esquinas, muitos a olharam, a cobiçaram, a desejaram. Mas estes, ela mantinha distancia, gostava de provocar esse desejo em todos em que passava por perto, tanto homens, quanto mulheres.
Chegou a um bar, entrou e pediu uma cerveja. Logo apareceram jovens, homens querendo o mesmo que ela tanto desejava. Dentre vários, um chamou sua atenção. Conversaram, trocaram palavras cheias de referencias, metáforas e intenções. Os olhares eram claros, as palavras diretas. Os desejos eram os mesmos.
Entre risadas e gargalhadas, seus olhos vidrara no do dele. Seu corpo já estava em explosão.
Pensamentos trafegaram pela sua mente. Suas pernas não paravam. Com seus pés incitou o rapaz que percebeu. Os dois começaram a trocar olhares cada vez mais excitantes. O que os dois mais desejavam era o desejo de desejarem aquela sensação. Após meia hora saíram do bar, foram para um beco. Encostaram-se a uma parede, ninguém havia no local. Começaram a se beijar. Suas mãos o tocaram, o consumiam.
Ele por sua vez, cada vez mais a levava a um estado de loucura.                         
Gemidos, sussurros e mais gemidos. Ao chegarem ao seu ápice, simplesmente ela revelou seus verdadeiros desejos, seus olhares, sua verdadeira face. Em um impulso incontrolável ela o agarrou com força seu corpo ao seu.
Numa atitude selvagem ela o mordeu.
Da sua boca tão bela, excitante, saíram presas fortes, famintas. Com estas dilacerou seu pescoço. Sangue começou a escorrer pelo seu corpo. Enfraquecendo cada  vez mais e mais, ele se prostrou se entregando aquela sensação de dor e prazer. E ela cada vez mais ia roubando sua vida até não restas mais nada, apenas o silêncio. Após isso, ela levantou e se retirou daquele ambiente escuro, triste e silencioso.
Com lágrimas em seus olhos, mais uma vez ela havia se rendido aos deus desejos.

Entre o azul escuro quase preto

Entre o azul escuro quase preto assim caminha meus desejos, meus sonhos, meu temores. Entre o meio termo está minha vida, está minha alma, está o meu eu. Entre os extremos, entre as ambigüidades.
Entre a fraqueza e a vivacidade, entre o medo e o desejo de viver. Entre o certo e o errado, entre a vida e a morte, entre o que é prazeroso e o que é moral, entre fazer o que é certo e que realmente desejamos, entre o lícito e o que não me convém. Por entre caminhos escuros, gelados e frios, mas ao mesmo tempo, quentes sufocantes e insuportáveis.
Sob o anoitecer em meio a dúvidas e incertezas, caminho para a liberdade em direção ao fim, em direção ao começo. Caminho para a morte, buscando a vida. Em direção a dor, desejando o refrigério e a paz. Assim caminha meus passos, minha alma, o meu ser. Entre o desejo arduamente de viver e o receio de buscar realizar meus desejos.
Trilho para a morte, me distanciando do sofrimento, em caminho a liberdade, como um barco em meio a um grande e sombrio mar, belo e misterioso, em meio a um horizonte infinito que não se revela aos meus olhos, mas que expressa um temor por não ter um fim.  

O céu É negro

O céu é negro, as nuvens turvas, a lua é cintilante, o universo é obscuro, a Terra gira e nós, bom, nós as vezes somos tão egoístas. Há um mundo diante de nossos olhos e tudo o que vemos ainda sim é tão superficial, tão raso, tão breve.
O vento sopra, as águas correm, os anos passam, tudo morre e mesmo diante de tudo, choramos pelos nossos problemas, pelas nossas fraquezas, pelas nossas imperfeições.
Vemos o céu, observamos e vemos, mas tudo está tão distante, tão longínquo. Os astros se movem, planetas se desfazem, estrelas nascem, outras deixam de existir, tudo caminha, a vida caminha e nós, tentamos não morrer, não passar, não perecer. O que é a vida diante da morte, o que somos nós diante da eternidade.
A melodia toca, a imaginação flui, o coração bate, numa pulsação forte, intensa, calorosa e firme. Palavras se formam, se moldam, ferem e nos fazem rir, chorar, sonhar e olhar o mundo que diante de nós e perceber que somos tão pequeno, tão frágeis e que nada compreendemos ou entendemos. A vida prossegue, homens morrem, vidas se desfazem, a história permanece, as lembrança ficam e o céu permanece negro, intocável e distante e nós, bom, por mais que venhamos tentar permanecer, fincar nossas vidas neste mundo, também já passamos, fechamos nossos olhos e simplesmente, morremos.