quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

As Vantagens de ser Invisível



"Nós somos o infinito"


Sensível e terno, esse drama adolescente trabalha com delicadeza, graciosidade e ternura essa fase tão intensa de nossas vidas. Um trabalho impecável, uma trilha soberba, um elenco compente, enfim, um belo filme. 

Charlie (Logan Lerman) é um jovem tímido e reservado. Calouro no colégio, não possui amigos, o único que tinha se matou. Possui certos problemas que aos poucos vão nos sendo revelado, problemas esses envolvendo seu passado e sua tia Hellen. Seus pais tentam ajudá-lo, percebem que ele sofreu muito com a perda dela e fazem o máximo que podem, mas nem Charile compreende o que sente.

No novo colégio tudo é difícil, por ser calouro e por ser tímido. Numa atitude espontânea passa a conversar com Patrick (Ezra Miller), um veterano da sala dele. A partir dele, ele conhece também sua meia-irmã, Sam (Emma Watoson). Patrick é mais solto, desinibido e hilário. Sempre provocado por todos do colégio, tenta não levar nada a sério. Sam, sua irmã, também já sofreu um bocado e está sempre errando. Nesse círculo de amizades ainda há mais tres adoslescentes que ora estão presentes, ora estão apenas lá. Começa aí uma pura e verdadeira amizade que terá que enfrentar com o passar dos dias todas as dificuldades que são comuns da idade dele, a descoberta da dor, da desilusão, das frustações e tudo mais que nos cerca. 


"As vantagens de ser invisível" aborda com leveza temas sérios e fortes. O final é a prova disso, um tema espinhoso, complexo e emblemático. Somente nos minutos finais que conseguimos compreender toda dor de Charlie. Além dele enfrentar esse passado que surge na vida dele de forma contínua em seu presente, há os problemas convencionais. 

Seu professor, Mr. Anderson (Paul Rudd) tenta ajudá-lo o máximo que pode, mas na vida, infelizmente a dor está presente. Outro personagem de destaque na trama é Patrick devido a sua sexualidade. A dificil aceitação de quem realmente seja, as dificuldades de uma possível relação e saber que talvez não pode ter quem realmente queira por conta do medo, receio e não compreensão do que eles querem ou sentem de verdade, provocam nesse personagem uma mudança intensa. De um rapaz hilário e despreocupado para alguém que sente o peso da vida e de suas escolhas. 

"Nõs temos o amor que achamos que merecemos ter", essa frase resume essas vidas, esses jovens, enfim, nossa vida. Com um roteiro extremamente belo e uma  ótima trilha sonora, o longa nos conquista. A trilha ganha um peso a parte, cada um deles tem uma canção em especial e Heroes é que a marca uma das cena mais belas e também o desfecho do drama. 




Tendo como cenário a década de 90, o filme ganha ainda mais qualidade. Está lá a máquina de escrever, o fascínio em mandar cartas, as músicas, a inocência, e até um certa pureza. Essa pureza está materializada na vida de Charlie. Ele não consegue compreender o que é errado, ou a maldade em alguns atos, simplesmente, ele não entende. Essa inocência vai se perdendo a medida que ele percebe a dor, porém o desejo pela vida e a amizade em seu grupo de amigos também se intensificam


O elenco está incrível e Emma Watson se destaca em sua personagem, assim como Lerman. Rudd faz uma ponta, mas que emociona. A direção é ótima, competente e segura. Há momentos engraçados e divertidos, mas nada constrangedor, tipicos de comédia envolvendo esse público. O sexo está ali também, mas nada indelicado ou pervertido, tudo é tratado com respeito e ternura. 
 
"Nos somos infinitos", essa é sensação que estes três jovens tem com relação a vida, com relação ao laço que os mantém e que o filme consegue nos transmitir. A cena do carro num túnel poderia simbolizar a vida como um todo, uma grande e imensa estrada, em que corremos, loucamente, apressadamente, alguns conseguindo sentir o prazer de estar vivos, outros, apenas correndo em direção a alguma alvo em específico, mas todos em busca de algo que os motiva correr, andar e caminhar. 


sábado, 2 de fevereiro de 2013

As aventuras de Pi



As aventuras de Pi é mágico e irreal, meche com nossa imaginação e nos ousa a acreditar no que parece ser impossível. Duas vertentes caminham sempre lado a lado nesse drama: a fé e a razão. De um lado está a fé que nos move, nos faz acreditar no impossível, do outro a razão, que nos mantém, nos segura e nos faz mais serenos enquanto à vida.

Pi é um garoto de dúvidas, suas incerteza o guia por caminhos complexos. Foi dessa forma que conheceu a Deus de diversas formas e por várias correntes. Essa parte é interessante, pois percebemos como é a fé desse pequeno garoto. Seu desejo é conhecer a Deus, simplesmente a Deus e por conta disso se lança nos cristianismo, no islamismo, no budismo e por aí vai.

Seu pai não aprova a postura do filho, a considera fraca e frágil. Quando não se sabe o quer da vida, não consegue chegar a lugar algum. Mas Pi chega e sofre, chora e sente a dor da perda, da vida e é essa busca pela fé que o mantém vivo, que o move.

Quando seu pai afirma que toda família irá deixar a Índia para começar uma nova vida no Canadá, Pi não aceita, mas acata a decisão. Seu pai tem um zoológico e resolve levar consigo todos os animais, a idéia é vendê-los e começar de novo. Mas durante a viagem, o cargueiro em que estão entra numa forte tempestade e afunda. Pi é o único sobrevivente. Toda sua família se perde, e ele fica perdido nesse mundo num lugar desconhecido do Oceano Pacífico. Ele se descobre meio sozinho nesse mundo, já que junto dele estão apenas uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker.


Ainda nos primeiros momentos, Pi presencia o pior, a hiena mata a zebra, que já está fraca e o orangotango. Isso o machuca e o fere, faz com que ele perceba a vida de uma forma mais violenta. Mas se isso o marca, a presença do tigre junto dele o ainda deixa mais preocupado e atento.

É sobre essa convivência nada natural que o drama vai explorar. Pi precisa ficar atento a cada instante, pois sabe que esse tigre, apesar de ter um nome e ter sido cuidado por ele, é uma fera e seus instintos falarão mais alto quando o momento pedir.

É com um drama intenso e cheio de belas imagens que Ang Lee realiza um belo trabalho mesclando realidade e ilusão, sonhos e verdades. Tudo caminha lado a lado e quanto a nós, espectadores, jamais percebemos essas diferenças. 

Pi é a representaçao da busca, da procura. A busca em compreender Deus, a vida e tudo mais que o cerca fará com que ele tenha um propósito maior nessa vida: se manter vivo. O tigre representa esse lado selvagem e incontrolável que está em todos nós. Se num começo ele tenta domar, com o passar dos dias percebe que é somente treinando esse animal que ele conquistará a sua confiança. 




As imagens são belas, Lee capta com toda intensidade e beleza esse mundo tão isolado e selvagem da vida. Esse drama é ousado, pois durante boa parte de sua hisória se fixa nesse barco salva-vidas e na relação de Pi com o animal, nos mais, temos um começo em que conhecemos toda a vida de Pi e as vezes somos quebrados pela história para voltarmos ao presente, em que ele já adulto, relata toda o drama vivido por ele quando adolescente ao escritor.

A trama toda é posta sob metáforas, imagens que são e muitas vezes não são. Nesse sentido, esse filme se aproxima um pouco de outra grande obra do cinema, "O labirinto do Fauno", em que duas formas de se ver uma trama caminham juntas e que cabe ao espectador a escolha em que acreditar. Ao final é nos dado uma outra versão para todos os acontecimentos, uma versão mais ácida e dolorosa sobre tudo, ela também faz sentido, mas fica a dúvida: e tudo que vimos então, não foi real? O que de fato aconteceu? Pi responde: depende do que você prefere acreditar. 

Um filme cativante, com uma bela trilha sonora e imagens que nos conquistam e nos prendem. Um drama sobre a dor e sobre crescer. Sobre a vida e como a vemos ou a sentimos.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Doce Amanhã




Fale suavemente, olhe para cima, e atire menos, com mais cuidado. 
Cante mais docemente e olhe um pouco mais e logo você vai estar lá. 
Aqui, tudo o que temos é o céu. Como o céu tão azul, como o azul, mais um colorido, mais um colorido.

Um advogado chega à uma pequena cidade no interior do Canadá. Sua intenção é convencer a todos a processarem a empresa responsável pelos ônibus escolares exigindo uma indenização. No caso, um acidente provocou a morte de mais de vinte crianças, todos os pequenos da cidade morreram e o luto se abateu sobre toda essa comunidade. Mitchell Stephens (Ian Holm),o advogado, também possui seus próprios traumas, ele perdeu sua filha para as drogas. 

"O doce Amanhã" é um filme calmo, lento, instrospectivo e singelo, um drama em que somente com o passar dos minutos, vamos compreendendo toda a dor de seus personagens. 

O longa aborda três histórias, sendo vividas em tempo distintos, mas isso só percebemos com o decorrer dos minutos. Há uma trama nos apresentando a cidade e seus moradores antes do acidente. Cores vivas, um sol quente, sorriso por todas os lados e crianças brincando, a felicidade está na simplicidade dos pequenos atos e os moradores da cidade se sentem assim. Nesse meio, conhecemos cada família que será de grande importância para a trama e também, com o denserolar dos acontecimentos, vamos conhecendo também as imperfeições desta cidade, aquele lado que todos queremos esconder, mas que ainda sim, existem em nós: nossos pecados. Temas como traição e incesto são abordados de forma muito leve e quase natural.


Vemos também um outro tempo, a cidade após o acidente de ônibus. Após esse trágico acontecimento, todos morrem em vida, todos parecem mortos, pálidos, frios, distantes e amargurados. O frio do inverno ganha presença, nem o calor da lareira consegue esquentar essas pessoas. Nesse momento é que entra a fígura de Stephens. Ele representa toda dor que quer ser expurgada, ser esquecida. Ele incita, provoca, manipula e direciona os sentimentos. Ele deseja com que todos da cidade tenham um responsável a quem culpar, a quem direcionar sua raiva, mas nessa vida, náo há culpados, nem responsáveis ou  vítimas, há simplesmente a vida. 

Uma terceira trama caminha juntamente com todos os acontecimentos da cidade.  Stephens também tem seus traumas. Sua filha se perdeu no mundo das drogas e ao seus olhos, ela já está morta. Ele não consegue mais encara-lá, busca-lá ou acreditar que esteja bem ou viva. A morte é a solução para ele. Assim como os moradores desta cidade, ele quer também encontrar um culpado. Quando sua filha era pequena, ela ficou entre a vida e a morte, mas ele a salvou, a tirou daquilo que poderia causar sua morte, mas agora não. Quem é o culpado por esse fato? Por esse destino? Nesse momento, vemos um homem com suas limitações e dores. 

Essas três tramas correm paralelamente e se intercalando constantemente. Metáforas, são com elas que o diretor irá trabalhar toda o longa. É o carro numa lava-rápidos que tem todo o seu exterior lavado por águas e seu interior ainda sim intocado. É o frio que congela a alma e que nenhum calor é capaz de fazer vencer esse inverno, a madeira envelhecida pela ação do tempo e a mais bela de toda as comparações. 

Um flautista deseja se vingar de uma cidade devido aos moradores desta terem agido  com desprezo para com ele, então ele resolve, com sua flauta mágica, levar embora todas as crianças da cidade para um outro mundo, um local onde jamais seus pais poderão vê-las. Um lugar de vida, encanto e cores fortes. E assim é feito, só que uma destas crianças não consegue ser levada. Ela tem um "defeito", um "pecado", é manca e por causa dessa "incapacidade", ela não consegue acompanhar as outras e fica presa a este mundo. Essa garota é representada por Nicole (Sarah Polley) e assim como a criança da história, ela também é marcada pelo pecado e pela impureza, no caso, sua inoncência lhe foi arrancada. 


"Um doce amanhã", drama do diretor Atom Egoyan, é um filme soberbo. Trabalhando com temas fortes como a morte, traições, incesto e a mais pura dor, ele não se rende às lágrimas fáceis e entrega uma película cheia de nuances, detalhes e metáforas e em que a dor e angústia estão presente em cada semblante, em cada gesto e olhar dos moradores desta cidade. Um filme em que a ferida é tocada da forma mais peversa possível. 

A todo momento, o drama nos dá a entender que algo irá acontecer, que toda dor será vivida ferozmente, mas não. Ao final, a angústia permanece, mas a vida continua. Dois personagens não se rendem aos argumentos de Stephens. Nessa vida não há culpados e também nesse acidente não teve. Quem poderia ser culpado por tal fato, a motorista, o prefeito da cidade ou o dono da empresa de ônibus? Com fortes conotações cristãs em seu interior, o filme aborda o pecado, o castigo e o perdão. 

A trilha sonora é excelente. O instrumental soberbo, a canção que inicia o longa cantada por Sarah Polley é doce e pura. A todo o momento, essa canção e esse instrumental tentam dar leveza a tanto peso, a tanta dor e tentam amenizar a algo que é pesado. 

A direção não deixa a nenhum momento o filme cair no melodrama e nem a provocar lágriamas desnecessárias. O roteiro, tratando de divertos temas, mas sem dar destaque a nenhum deles, deixa o longa ainda mais interessante. 

O único ponto a abordar aqui nessa trama é a dor, simplesmente a dor, a angústia de viver, de morrer e de continuar a se manter vivo. 


domingo, 20 de janeiro de 2013

Hemingway e Gellhorn


  
Hemingway foi um dos grandes escritores que a literatura já conheceu. Com uma personalidade forte e bruta, escreveu obras que marcaram e ainda marcam. "Por quem os sinos dobram" é invocada e mostrada nesse filme e é nos mostrada como se deu sua inspiração. 

Em meio a uma guerra espanhola, há um amor, um romance e um casamento marcado por duas pessoas com personalidades fortes e intensas. Gellhorn foi uma das maiores conrrespondetes de guerra que o jornalismo ja teve. Foi a terceira esposa desse escritor e a única a pedir o divórcio. É sobre esse encontro, esse romance e término que esse filme também vai abordar. 

Nicole Kidman e Clive Owem dão vida a essas duas personalidades. Ele, homem, forte, viril, dono de uma língua afiada e uma escrita poderosa. Ela, linda, aparentemente delicada, mas ousada, forte, destemida que sente que deve relatar ao mundo os horrores que são escondidos por belas imagens divulgadas pelos meios oficiais dos estados. 

"Hemingway e Gellhorn" é a história de duas vidas que se encontram e veem no horror da guerra, o motor para suas vidas, para ele, o combústivel para seus romances, para ela, não apenas em sua escrita, mas em sua vida. A guerra civil espanhola foi algo que marcou fortemente os dois, pois ela representou como o homem pode ser falso, insensível e frágil. Vidas são lançadas em campos de batalha por ideais, sonhos, desejos e são usadas e mortas. 

Estas duas vidas nao foram marcadas pela morte, mas tiveram sua visão sobre o mundo fortemente abaladas e ceifadas, pior do que morrerem em guerra, morreram aos poucos em vida, perderam a fé no homem, na existência, no amor, na esperança, enfim, na vida. Quanto mais morriam em vida, mais se lançavam em empreitadas perigosas até chegarem ao seu limite. 

A morte incomoda, ficar de frente a dor nos fere. Muitos foram as vidas que se perderam, muitas foram as cenas que viram. Gellhorn relata em entrevista que duas foram os fatos que a abalaram fortemente, uma foi a guerra civil espanhola e outra foi as vidas perdidas no campo de Dachau. Não como há não ver essas cenas e não se chocar ou se impactar diante de tal imagem. E foi que aconteceu a esses dois. Ao f inal da vida, os dois sairam feridos, cansados, marcados e machucados. 




Um drama impecável e uma direção mais do que glamurosa. Conseguir captar os pensamentos ou sentimentos de duas pessoas que existiram em vida é uma das coisas mais difíceis. Pensamentos são tão abstratos, tão complexos e tão obscuros, não podemos jamais compreender o que uma pessoa sente, teme, receia ou deseja, mas podemos apenas tentar e tentar e esse filme é uma tentativa. Se tudo isso os marcou realmente, jamais saberemos. Esse drama não é apenas sobre a história de amor de dois personagens, mas sobre como estes foram marcados pela vida.

Kidman está incrível como Gellhorn. Com uma atuação avassaladora, ela traz peso e sentimentos a essa personagem. Seu olhar delicado que tenta a todo tempo impressionar, com o passar dos minutos é cedido por um semblante de uma mulher ousada, determinada, mas ao mesmo tempo frágil e limitada. Todos temos um limite e ela nao é diferente. Kidman, depois de se lançar em projetos que nao deram muito certo, parece que encontrou o caminho certo. Com esse drama, encerra um ano com boas interpretações. Owen também leva o destaque, um homem de presença, forte, viril e que transpira ousadia, mas faltou algo a ele. O elenco de apoio está ótimo, temos até um Rodrigo Santoro com um personagem belo e idílico. 

A trilha sonora brilha, apesar de quase não há percebermos. Misturando cenas de documentário da época a ficção, o longa tenta compor um olhar de documentário sobre ele. A todo momento, imagens em preto e branco se mesclan a imagens de arquivos. Apesar de ser um filme para TV, ou seja, ter um orçamento menor, o longa naão faz feio. 

Ao final, o que fica é o drama e a história e de certa forma, uma tentativa de mostrar quem foi em vida, a terceira esposa deste que foi um dos grandes escritores que a história já teve. Ao começo do longa, temos uma frase de peso, dita por Gellhorn "não foi minha intenção ser nota de roda pé de um livro", talvez é assim que ela tenha se sentido durante toda vida, como apenas mais uma esposa dentre as várais mulheres que esse escritor já teve. Mas o que esse filme veio mostrar é que ela não foi apenas mais uma, mas teve forte presença e sua vida continou e ao seu modo, ela marcou a história também.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lucía e o Sexo


 

Drama apresenta personagens interligados pelo destino, moldados pela vida, numa pequena colcha de retalhos.

Um casal numa praia, eles fazem amor, apesar da intimidade, nao se conhecem. Nem nomes, nem nada sabem um do outro. A noite está bela e a lua intensa. Eles apenas marcam bem o rosto um do outro, para que um dia, possam se reconhecer. 

A seguir, vemos uma moça agitada ao telefone, está brigando com o namorado. Sai do serviço as pressas, mas encontra o apartamento vazio. O namorado simplesmente sumiu, o  telefone toca, uma voz no telefone pergunta se ela conhece Lorenzo (Tristán Ulloa), ela não responde e desliga o telefone aflita, pensa no pior, será que ele está morto? Vai ao quarto, pega algumas mudas de roupa e parte para uma ilha bela e deserta. 

Seu namorado sempre quis voltar a esse pequeno paraíso e aos olhos dela, vindo a esse local, comprenderá o que aconteceu a seu namorado e tentará dar um rumo a sua vida. Ela se chama Lucía (Paz Vega), e fechando essa introdução, o longa nos apresenta ao primeiro prólogo intitulado Lucía. 

Nesse primeiro momento conhecemos essa garota, como ela chegou a Lorenzo, um escritor que ela sempre admirara e como os dois se envolveram. Junto a essa história, corre em paralelo outra trama, de pouco peso, que num primeiro momento, não conseguimos compreender. Esse começo segue até o momento em que Lucía deixa a cidade e parte para a ilha, ele nos serve para conhecermos essa moça e esse rapaz. 



Num segundo momento, conhecemos uma outra parte dessa trama, conhecemos um personagem que também será de extrema importância, se não, a fígura mais importante deste filme, o Sexo. A química que há entre Lucía e Lorenzo, apesar de haver o amor, foi o sexo em si. Foi por meio desse elemento que todos estes personagens se cruzaram e o drama chega a esse fim trágico e redentor. 

"Lucía e o Sexo" é uma drama espanhol que tem como ponto forte sua trama. Num começo, parece ser simples, mas com o passar dos minutos, um fato está ligado a outro e vemos como há algo de grande preso a todos estes personagens. Dor, morte, vida, angústia, raiva e medo. O Sexo representa nossas ações, marcadas pelo momento, pela incapacidade nossa de pensar frente a um acontecimento. Esse elemento nos mostra como somos instáveis ou até selvagens e Lucía talvez represente o amor, um sentimento mais puro, capaz de perdoar e compreender o erro e o outro. 

Com fortes cenas de sexo e excelentes momentos dentro da trama que fíguras metafóricas são utilizadas para descrever cenas que não são mostradas, esse drama trabalha com a dor, com a perda e uma possível redenção. O mesmo elemento que trouxe a vida foi o que provocou a morte, como se a vida seguisse um ciclo: vida, morte, morte e vida. 

Com um competente elenco e uma direção segura, Lucía e o Sexo é uma boa aposta de filme, uma drama que nao chega a ser intenso, porém que não decepciona.   




terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Nome Próprio



Leandra Leal encarna com competência e maestria uma personagem intensa, ousada, perdida, forte e auto-destrutiva. Ela é Camila, uma jovem que sonha em ser escritora e vê nos fracassos de sua vida amorosa, a densidade necessária para lever essa história adiante. Ela se expõe e deixa revelado a todos que a cercam seus medos e desejos. Se fere, se machuca, sangra, xinga e vive ao extremo, mas sempre tentando. 

O longa começa com Felipe (Juliano Cazarré) expulsando Camila do seu apartamento. Ela o traiu, ele nao aceita mais a relação, ela insiste que ele ainda a ama e que aquela traição foi por culpa dele também. De nada adiante, ela então vai morar por alguns dias na casa de um amigo, Marcio (Munir Kanaan). Lá, tenta se recompor, mas não, ela está em desespero, não aceitando tudo o que aconteceu. 

Limpa constantemente a casa, numa atitude de tentar organizar sua vida, fuma inúmeros cigarros e toma remédios pra tentar controlar sua ansiedade. Ela quer ter o controle de tudo, mas devido a não o ter, se sente cada vez mais perdida. Presa no apartamento, sem emprego ou dinheiro, só lhe resta escrever e escrever. Primeiramente com fatos pessoais de sua vida que ela publica em seu blog, fato esse que deixa Felipe irado com ela. Depois de todas as suas desilusões amorosas, incluindo suas falhas e seus erros. 

Camila tem o desejo de se tornar escritora. Vai buscar nas suas desilusões amorosas a força que precisa. Primeiro do término do seu namoro, depois com um caso, com seus erros e com tudo depois o que lhe acontece. Depois, de todas as escolhas que faz, sendo erradas ou não.Como em uma montanha russa ela cai, levanta, cai novamente, chega ao mais puro e profundo poço e tenta novamente.

Os dias seguem e quando pensamos que tudo pode se ajeitar em sua vida, só piora. Muitos são as pessoas que tentam ajudá-la, mas todas ao fazer isso, acabam se ferindo. Ela quer fazer o que é certo, mas sempre faz o que é errado. Quando sente que conseguiu se encontrar, percebe a dor da desilusão e sabe como é ser traída, ela chora, mas se levanta, em busca de um nome próprio, uma indetidade que é exclusivamente sua.



"Nome Próprio" com direção de Murillo Salles é um filme intenso. Baseado na obra de Clarah Averbucks, ele retira dessa história toda carga dramática. Não é um drama fácil, pois Camila, nossa protagonista, erra e erra feio. Trai o namorado, briga com ele, usa todos a sua volta como objetos, transa com o namorado da amiga na sua frente. Tudo que uma protagonista jamais faria e com isso, fica difícil torcemos por ela. Mas ainda sim, torcemos.

O longa tem um direção segura, uma trilha sonora suave que nao pesa as cenas. A iluminação deixa a todos mais cru e revela todas as imperfeições de seus personagens. Vemos uma Leandra Leal verdadeira, sem beleza e com susa ansiedades estampadas em cada movimento seu. Algums cenas dizem muito, os pés que não se param de bater quando ela está em frente ao computador, ou no banho, quando o ralo está intupido. A tentativa constante de limpar a casa, tudo ao seu redor está, aos seus olhos, errado, sujo, errado e ela tenta, mas sabe que nao pode dominar toda sua vida. A tentativa de lavar as escadarias do apartamento é uma prova disso.

"Nome próprio" foi bem recebido pela crítica, mas infelizmente exibido em poucas salas. Um filme intenso e que nos prende. Um pouco demorado, poderia ter uma edição melhor. As falas em off, com as escritas aparecendo na tela e nas paredes, deixam o drama ainda mais belo. A cena final, tão poética e profunda, deixam esse longa ainda mais encantador. Duas Camilas diante de nós, com seus medos e ousadia, tentando e tentando, mesmo se ferindo. Essa é a sua busca, a de se encontrar em meio a dor, se punindo, se machucando. Ela vê na dor e no erro um motor para a sua vida. Assim é esse filme, um drama onde não há momentos de risos, em que a dor se estabele como impulso que rege a vida.




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A vida de outra mulher



Marie (Juliette Binoche) esta numa casa com sua mãe cuidando do pai doente. Nesse fim de semana conhece Paul (Matthieu Kassovitz). Eles trocam olhares, e então, sua amiga o convida para a uma festa na casa de Marie. Os dois conversam, ficam e tem uma noite de amor. Ela então acorda e percebe que está num lugar diferente. Não consegue entender nada, está mais velha, num apartamento de luxo em Paris, com um filho e uma empregada. Se olha no espelho e não se reconhece, percebe que é uma outra mulher. Se passaram 15 anos de sua vida e ela não se lembra de nada. 

Nesse momento vamos juntos com ela descobrindo o que aconteceu em sua vida. E assim ficamos sabendo que ela se casou, formou uma familia, se tornou numa empresária de sucesso e salvou a fortuna da famílida do marido. Porém, diante de tantas descobertas boas, descobriu também que seu casamento está em processe de separação. Todos a temem, e ela possui um caso com um funcionário da empresa. O pai faleceu e ela cortou as relações com sua mãe. Enfim, apesar de sua vida profissional ter alcançado as alturas, ela como pessoa caiu num profundo mar de infelicidades e desgoto. 

"A vida de outra mulher", drama francês, é um longa divertido e engraçado. Nunca sendo profundo, nunca sendo raso. Um filme bacana. É com graciosidade e leveza que vemos todo o desenrolar dessa trama. A trilha sonora é muito bem usada, ela é ótima, desde o instrumental as músicas, tudo é muito cativante. 

O drama se apóia na comicidade pra ganhar o público e consegue. A trama nao quer entender a causa desse esquecimento, mas fazer com que Marie perceba onde sua vida a levou. A vida que possui é a que realmente ela queria ter?



Tentando entender o que lhe aconteceu que tentará reconquistar seu marido, viver os dias com seu filho e buscar compreender em que pondo de sua vida ela mudou tanto. A relação com sua mãe tentará compreender também assim como se deu o falecimento do pai e ficará sabendo que não esteve tão presente assim na vida dele. Marie é vista pelos outros como uma mulher rude, grossa, sistemática e impaciente, que faz com que todos a temem e ela não consegue se ver nessa mulher que se transformou. 

Esse longa segue aquele caminho de filmes como "De repente nos 30" ou "Quero ser grande" em que a pessoa ve seu passado e não consegue se enxegar nesse futuro tão mudado. O roteiro não chega a explicar algumas informações e seu desfecho complet essa ideia deixando o longa mais belo. Não é ideia da diretora explicar a causa, mas apenas mostrar a Marie o que lhe aconteceu.

Com essa ideia que a atriz francesa Sylvie Testud estreia no cinema com uma comédia/drama simples, mas muito bem conduzindo. Porém, o que prende todo o drama e segura o filme ainda sim é a presença magnifíca de Juliette Binoche. Ela que é uma atriz mais ligada a dramas, aqui dá vida a uma personagem mais suave, engraçada, leve. Ela encanta e diverti, mas também consegue dar dramaticidade quando a cena pede e a cena final é uma prova disso. O diálogo final entre ela e Paul é intenso e tocante. 

Um filmes simples, mas que consegue agradar. Não é profundo, porém nao é raso, enfim, encanta e diverti