sexta-feira, 6 de maio de 2011

Buffy - a caça vampiros


Buffy – a caça vampiros foi, de fato, um dos fenômenos pops mais cultuados da década de noventa e motivos para tal proeza não faltam. Criação de Joss Whedon, a série conta a história de Buffy, uma adolescente que descobre ser uma caçadora de vampiros, aquela que a cada geração surge com o propósito de lutar contra o mal, seja contra vampiros, demônios, seres sobrenaturais, deuses ou até o próprio mal.

A série que teve um total de 7 temporadas, mostrou por meio de metáforas ou de forma clara, as dúvidas, incertezas, dificuldades, erros e as conseqüências destes na adolescência por meio de histórias vampirescas, demônios assustadores e bruxas descontentes. Buffy marcou uma geração, pois conseguiu unir ao longo de sua temporada histórias complexas, ligada a momentos cômicos, referencias pops, com excelentes jogadas, belíssimos e divertidos diálogos e por principalmente, apresentar personagens que cativaram o público

Buffy é uma garota que teve um passado glorioso, era líder de torcida, popular e cobiçada por todos os rapazes em sua antiga cidade, mas após descobrir sobre a existência de vampiros e que ela fora a escolhida para ser a caçadora, teve toda sua vida transformada e seus valores questionados. Vinda de outra cidade, onde enfrentou uma cúpula de vampiros, abordada no Filme Buffy – a caça vampiros, e causou um bom estrago no colégio em que estudava, resultando na sua expulsão, ela chega à pequena cidade Sunnydale e descobre que esta calmaria comporta em seu interior uma boca para o inferno. Nesse sentido, esta cidade é a porta de entrada para toda espécie de mal e será contra isso que Buffy terá que lutar.


Mas dessa vez, ela não enfrentará o mal sozinha. Contará com a ajuda de Giles, um bibliotecário que foi mandado à cidade por uma organização que tem como função combater o mal e treinar as caçadoras, eles são chamados de Sentinelas. Para tentar compreender o que está acontecendo a cidade, já que um surto de morte provocadas por vampiros veem acontecendo, ele começa a trabalhar no colégio da cidade onde conhece Buffy.

Willow é uma garota tímida, porém muita inteligente, ela ajudará Buffy nas pesquisas em livros, mas com o passar das temporadas, aprenderá bruxaria e se tornará uma poderosa Bruxa, sendo até a vilã da sexta temporada.

Xander é um rapaz engraçado, que fica interessando em Buffy na primeira temporada, terá um envolvimento com Cordélia na segunda e se envolverá sempre com demônios no decorrer da série.

Angel é um vampiro com alma, ajudará Buffy na caça aos vampiros e outras criaturas. Os dois terão um caso durante o decorrer da série, mas ele sairá desse arco na terceira temporada para dar vida a uma própria série.

Cordélia é uma líder de torcida arrogante, metida e vazia. Será o alivio cômico da série. Se envolverá com a turma dos caçadores a contra gosto, terá uma relação com Xander e sairá da cidade na terceira temporada para fazer parte de Angel – o caça vampiros, onde nessa história terá uma participação maior se tornando até um ser superior e posteriormente vilã na quarta temporada.


A primeira temporada da série teve apenas doze episódios, em termos gerais foi boa, mas esse primeiro ano apenas conseguiu realmente mostrar que a série teria fôlego para mais histórias, sendo assim renovada. No primeiro ano conhecemos Buffy e seus amigos que juntamente com o Giles irão formar Scooby Gang, um grupo denominado por eles, que irão investigar todas as mortes sobrenaturais envolvendo os alunos do colégio em Sunnydale. Essa escola será o palco onde passará praticamente todas as histórias. Ao final da temporada, Buffy tem que enfrentar uma profecia, que afirma que ela irá morrer dando a liberdade ao mestre dos vampiros, para que esse possa novamente andar sobre a face da terra. Após enfrentar o vilão e seus amigos uma legião de vampiros, eles os vence. Nesse final, entram para a turma Calender, uma professora de informática, que conheceremos mais tarde na segunda temporada e Cordélia, que se envolverá com a turma sempre a contra vontade dela.

O segundo ano se apresentou como uma das melhores temporadas. A história se centra na chegada de dois vampiros à cidade, Spike e Drusila, antigos amigos de Angel, que provocavam um grande inferno por onde passavam. Novos na cidade, os dois querem trazer o caos ao local e para isso contarão com o apoio de Angelus, que após perder a alma novamente, devido a um detalhe da maldição, se voltou contra Buffy e seus amigos, tornando-se num perigoso inimigo.

Nesse segundo ano, os dramas se intensificam para todos os personagens. Buffy após perder a virgindade com Angel verá ele se transformar no seu inimigo e terá que enfrentá-lo, Giles descobre os verdadeiros motivos da chegada de Calender à cidade e sentirá traído por ela, mas terá uma nova perda quando souber que Angel a matou. Xander passa a ter um envolvimento com Cordélia e ela por conta disso, terá sua popularidade ameaçada. Willow conhecerá Seth, um cara que toca numa banda e é um homem de poucas palavras, ele também passará a integrar a gangue e ao final ela começará a estudar e praticar bruxaria, sendo ela a responsável pela recuperação da alma de Angel.



Nesta segunda temporada, destaque para os episódios Uma escola da pesada, Minta para mim e Eu só tenho olhos para você. O primeiro vale pelos momentos de tensão que conseguiu transmitir com todos os alunos presos no colégio e um grupo de vampiros liderado por Spike tentando entrar para matá-los.

O segundo, por ser fascinante, um antigo amigo de Buffy chega à cidade e passa a ajudá-la com segundas intenções. Ela se deixa enganar por ele, acreditando na amizade dele, e ele se deixa enganar, achando que se tornando num vampiro, terá realmente uma vida eterna e se verá curado de uma doença que possui e que o matará em breve. De uma forma simples, simbolizada pela ideia de ser um vampiro, a série consegue trabalhar com um assunto tão delicado que é a vida e a morte de alguém que sabe que irá morrer em breve e não aceita esse destino. E por fim, Eu só tenho olhos para você, retrata uma história comovente de amor e morte.

Destaque também para o desfecho da história, com o episódio Metamorfose parte 1. Tendo uma ação constante, o episódio conta com uma ótima trilha sonora e uma montagem que deu o tom certo ao enredo. A temporada é encerrada com Angel recuperando sua alma e Buffy o enviando para outra dimensão e ao fim, deixando a cidade por se sentir culpada ao que fez a ele.

A terceira temporada marca o fim de Buffy e toda gangue no colégio e esta, conjuntamente com o segundo e o último ano, são sem sombra de dúvidas, os melhores momentos da série, que se perdeu um pouco em sua história.


No terceiro ano eles terão que enfrentar o prefeito que está planejando algo tenebroso no centenário da cidade. Aparece também em Sunnydale outra caçadora chamada Faith que foi invocada quando a última morreu, ela tendo um jeito explosivo dará sérios problemas a Buffy, se aliando ao prefeito e voltando-se contra a caçadora. Angel retorna da dimensão para qual foi mandando. Joyce, mãe de Buffy, tenta lhe dar com a ideia da filha ser uma caçadora. Willow e Xander têm uma forte aproximação, resultando no fim do namoro com Cordélia e em conseqüência o aparecimento de Anya, o demônio da vingança. Outro sentinela aparece na cidade, Wesley, mais causando problemas do que ajudando e por fim, o relacionamento de Buffy e Angel sendo marcado pelo seu inevitável fim.

Nessa terceira temporada, a maioria dos episódios mostraram-se muito bons, deixando a temporada bem segura. Destaque para Anne, que inicia a temporada. Com uma história simples, mostra Buffy passando por um processo de negação da sua vida e do seu passado, um período de luto e dor, finalizando com ela aceitando o que ela é e as conseqüências disso. E por fim O baile de formatura e O dia de formatura – parte 2. O primeiro, pela homenagem que Buffy recebe de todos do colégio, dando a entender que eles sempre souberam de tudo o que acontecia na escola e que ela os protegia e o segundo pelo confronto final entre a caçadora com a ajuda de todos os alunos do colégio contra o prefeito.




São com histórias simples como essa que Buffy obteve seu lugar ao sol como uma das séries mais queridas da década de noventa, sem apelar para grandes roteiros ou questões emblemáticas. Por meio de seus personagens são carismáticos, o seriado brincou com os rótulos e clichês do gênero, transformando o terror em algo cômico, em certos aspectos lógico, mas o grande destaque fica pela forma como o diretor consegui abordar questões como rito de passagem, sexualidade e tantos outros temas envolvendo os adolescentes daquela década utilizando de histórias vampirescas e sobrenaturais.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Hedwig – rock, amor e traição

Ousado, diferente, sensível, delicado

Um musical bem transgressor. A história de um transexual que para escapar da Alemanha oriental com um sargento americano, realiza um cirurgia que não sai completamente perfeita e vai para a América. Lá, é deixada pelo marido à mercê sem saber fazer nada. Apaixonada por rock, conhece um jovem, filho de casal para quem trabalhava como babá. Junto dele, desenvolve ótimas canções e cria um superstar, mas é deixada de lado e traída por esse jovem, passando então a se apresentar em pequenas lanchonetes, bares e lugares mais toscos possíveis tentando obter um reconhecimento mais do que justo pela sua carreira.

É com força e delicadeza que somos apresentados a essa personagem tao marcante e vibrante. Uma figura que não teve sorte na vida, mas mesmo diante de todos os empecilhos continuou. Seus olhos expressam sofrimento, sua voz cansaço, porém suas canções revelam desejo, raiva e vida.

Fazia tempo que não via um musical tão vibrante e gostoso e um longa tão ousado e terno como esse.. Tendo como protagonista um transexual, esse drama não é para todos. Da mesma forma que esse filme é diferente, estranho, difícil, trash, ele consegue ser delicado, sensível e comovente. Sua protagonista ou seu protagonista, como melhor achar, somente pelo seu olhar nos revela um sujeito marcado pela dor. São por meio de suas canções, cantadas nos lugares mais esquisitos, que conhecemos sua história, do ponto em que ela era apenas um garoto vivendo numa Alemanha oriental marcada pelas dificuldades e restrições até a fase atual em que ele se encontra. Quando criança adorava ouvir rock americano progressivo, mas sua mãe não permitia, na juventude conheceu um sargento americano que estava disposto a casar com ele e levá-lo para a América, porém para isso, teria que deixar algo para traz. Topou fazer uma cirurgia de mudança de sexo, mas ela não foi bem sucedida. O pior de ter que passar por isso foi ver que anos mais tarde o muro fora derrubado e tanto sacrifício tinha sido em vão, era só ter esperado um pouco mais no caso. Entretanto sua sorte tinha muito a que piorar.

A segunda pessoa que conheceu e se apaixonou perdidamente foi um jovem que ela passou todo o seu conhecimento sobre a música, sendo que conjuntamente dele compôs suas melhores canções, no caso, todas eram de sua autoria praticamente, mas ele a traiu também, ficando famoso a renegando e a obrigando a trilhar outro caminho não tão bom assim. Dessa forma, chega-se onde está no momento: fazendo shows hilários por todo os Estados Unidos em bares, lanchonetes, em que muitas das vezes não são ouvidos ou respeitados. O pior para ela é saber que ainda ama aquela jovem e a dor da traição ainda a consome.

É com essa história pra lá de diferente que o longa nos conquista. As canções são também outro show a parte. Ótimas letras, melodias mais do que gostosas, algumas são realmente muito belas, outras engraçadas e divertidas como a que conta a historia da cirurgia fracassada da cantora, enfim todas as letras da músicas são autobiográficas. Dificilmente num musical, todo o repertório musical tenha me conquistado, mas com esse filme isso aconteceu, A origem do amor é a melhor. Outro ponto bacana são as ilustrações em meio as músicas, foram bem bacanas, poéticas e bem trabalhados.


No elenco está John Camreon Mitchell, é dele também a direção e roteiro do filme e Stephen Tras ficou a cargos das letras das músicas. E esse diretor obteve uma raridade, conseguiu uma atuação magistral no papel dessa transexual, uma direção impecável e segura fazendo um filme terno e muito bem construído e um roteiro ótimo. Alias, esse filme é uma adaptação de um show da Broadway criado por ele. Com o sucesso e o apoio de algumas produtoras, ele desenvolveu essa história para o cinema, tendo como base as canções já criadas e apresentadas durante os shows. O figuro do filme com suas cores vibrantes, aquela peruca loira e suas expressões faciais durante as músicas são ótimas. Momento ternos: vários, mas o final mostrando ela andando num beco escuro nu é a melhor.

Ousadia, esse é o termo que melhor pode exemplificar esse filme, mas não é algo que soe forte ou cafona. Há todo um cuidado em compor esse personagem e mostrar seus sentimentos e isso se dá de forma muito bela e comovente. Um longa que me impressionou, tanto pela direção, quanto pela entrega do seu ator, em todos os sentidos. É de Mitchell também a direção do filme bem comentado, Shortbus e do intenso Reencontrando a felicidade, com Nicole Kidman no elenco.

O refúgio


Um drama sobre a dor, sobre como tentar superá-la ou apenas aceitá-la. Uma história sobre seguir adiante.

Mousse e seu namorado, Louis, são viciados em heroína, mas os dois têm uma overdose. Ela entra em coma, ele morre. Nos hospital, após acordar, ela recebe a notícia que seu namorado faleceu e que ela está grávida.

A mãe do rapaz pede que ela não prossiga com a gravidez, porém ela não a ouve e resolve ter o bebê. Mousse então se muda para uma casa de praia e lá permanece durante toda a gravidez. Esse é o refúgio do que o filme fala. Após alguns meses, ela recebe a visita de Paul, irmão de Louis, que resolveu passar um tempo com ela. Os dois são visivelmente opostos, não se conhecem e nem querem de início, mas com o decorrer dos dias, esse convívio trará mudanças para esses personagens.

Com um belo filme repleto de silêncios, onde o que predomina são os ruídos, longa consegue penetrar profundamente nesses dois jovens, revelando seus sentimentos, pensamentos e receios.


sabelle Carré, a bela loira de Medos privados em lugares públicos, se entrega a uma personagem densa, complexa, marcada pela dor e pelo luto, devido a morte repentina e acidental de seu namorado e que vê na continuação dessa gravidez, uma forma de ter Louis ainda vivo dentro e perto dela. Paul é um homem sério, homossexual, que tinha no irmão um amigo e uma pessoa que ele realmente considerava. Sua morte também o marcou fortemente, fazendo com que ele fosse até Mousse para conhece - lá melhor.

O filme não tem muita ação, tudo se passa lentamente. De forma calma e passiva, vamos conhecendo melhor cada um desses dois personagens. Toda a estrutura do filme soa para que isso aconteça da maneira mais delicada possível.

A iluminação que se prende a natural, mostrando sempre de forma leve e singela as feições dos dois, a fotografia, sempre contemplando belas paisagens, marcada por um grande e forte sossego. A trilha envolvente e gostosa que ajuda a dar mais intimidade aos sentimentos de Paul e Mousse, sendo que em alguns momentos, ganha a presença um instrumental que nos leva a uma ligeira tristeza e angústia, seguida por uma amargura. Outro destaque da trilha que dá mais brilho ao filme é a música cantada por Paul a certa altura do filme. A canção composta exclusivamente para o longa, apresenta uma bela letra, terna e sensível. Todos esses detalhes conferem mais densidade a esse filme tão intimista e introspectivo, que tem como meta apenas fazer uma análise de seus personagens em momentos de dor e alegria.


 
A direção é de François Ozon. Um diretor que vem trilhando um caminho bem bacana. Seus trabalhos estão focados sempre nas mesmas questões, mas sempre de forma brilhante e comovente, que sempre tende a acrescentar mais ao cinema. É dele os belos filmes O amor em cinco tempo, um drama sobre o fim de um relacionamento contado de uma forma muito interessante e bela e também o terno O tempo que mês resta.

O final é comovente, não se prende ao clichê ou busca uma saída simples e fácil para essa história. Um filme belo e delicado que merece ser visto várias vezes, pois a cada conferida é possível perceber nuances que apenas enriquecem mais a história.

Estão todos bem

Hilariante, divertido, um dos melhores filmes do ano.

Anette Benning e Julianne Moore dão vida a Nice e Jules, duas mulheres casadas que juntas tem dois filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson), dois jovens que foram concebidos por meio de inseminação artificial de um mesmo doador. Quando Laser fica instigado em saber a identidade de seu pai biológico, ele convence Joni a ir atrás dele já que ela é maior e ele tem apenas 15 anos. Ela de inicio não deseja, pois tem medo de magoar suas mães, mas por curiosidade faz isso e encontram Paul (Mark Ruffalo), um homem engraçado, meio imaturo as vezes e que trará a essa família moderna um terremoto sem proporções.

Nic é uma mulher controladora e sistemática. Devido a ser médica, passa muito tempo fora de casa, porém mesmo estando ausente, ela quer estar ciente de tudo o que acontece aos seus filhos. Jules já é o lado sentimental da família, sensível e delicada, largou a profissão para cuidar dos filhos e sente o peso do tempo agindo sobre ela. Joni é a filha de Nic, madura e ingênua em muitos aspectos, está para ir para a faculdade, mas teme essa nova ideia. Laser, filho de Jules, é um esportista que vai mal no colégio e tem um amigo que não é uma boa companhia, é fechado, porém sensível. Sua curiosidade sobre Paul termina quando ele o conhece, pois ele não era o que ele imaginava, entretanto, Joni fica intrigada por ele.

Com uma comédia gostosa e um drama sensível e comovente, somos levados a conhecer cada um desses personagens e torcer por eles. Nessa história, todos sairão feridos. O filme consegue ser engraçado quando dever ser, pois não há como não rir com as situações colocadas no começo do longa, mas também parte para a seriedade quando o momento pede. As piadas cedem espaço para um drama sobre uma família que apesar de ser moderna, guarda os problemas comuns referentes a todos. Insegurança, infidelidade, o tempo agindo e atemorizando, as difíceis escolhas que temos que fazer na vida e como sofremos no longo aprendizado que é viver.


Joni e Laser estão crescendo, se descobrindo e tendo consciência da família que possuem e elas tem esse conhecimento e a chegada desse homem revelará as falhas, imperfeições e fragilidades de todos eles. Jules, magoada com a forma que Nic está levando o relacionamento delas e atormentada pelo fato que está ficando velha e não tão atraente assim, cai no papo e nos elogios de Paul e passa a ter um caso baseado em sexo com ele, mas ele mesmo se perde nessa nova relação que aparece na vida dele, porém não calcula ou pensa nos atos que comete, não tendo consciência do que poderá causar a essa família e aos seus próprios filhos que acaba de conhecer.

É por meio dessa história que perceberemos como problemas comuns podem afetar a todos, sejam as pessoas conversadoras ou liberais. No final de tudo, o que irá prevalecer nessa história são as semelhanças, pois por mais que essa seja uma família moderna, composta por duas mulheres que geraram seus filhos por meio de inseminação artificial, os problemas que os rondarão serão os mesmos que rodam uma família convencional.
Minhas mães e o meu pai, título em português, consegue focar a história de forma direta. O nome do longa nos mostra sobre o que o drama ira tratar, coisa que o título original não faz, se prendendo a um nome mais poético e sensível, Estão todos bem. Eu, particularmente, ainda prefiro o original, pois nesse caso, o longa não quer trazer holofotes para o fato do filme ter como protagonista duas mulheres lésbicas, mas retratar um momento delicado de uma família.

O queridinho desse ano na esfera independente, esse drama obteve boas indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e melhor roteiro original, mas o que chama a atenção para esse longa, alem de sua história, é para o elenco. Benning está mais do que perfeita no papel. Ela dá vida a uma mulher decidida, controladora, mas que ama a família mais do que tudo. Sua atuação é simplesmente avassaladora. Julianne Moore também está impecável no seu papel, vindo de uma carreira composta com fortes personagens em excelentes atuações, ela mostra que está mais do que na hora de receber um Oscar. Mark Ruffalo mostra também garra e competência, um ator brilhante que vem traçando um caminho promissor. Seu personagem é hilariante e muito comovente. O que ele mais quer é acertar, porém acaba fazendo tudo errado.

O filme está conseguindo ir bem em diversos festivais por onde tem passado. Sua história é forte, mas a leveza com que é guiado fazem toda diferença, até a cena em que mostra Jules fazendo um sexo oral em Nic é engraçada e causa risos e não espanto. O longa sendo visto e tão querido pela crítica revela como as coisas vem mudando. Semelhante a Transamérica, esse drama mostra como a passos lentos o preconceito vai sendo deixado de lado. Está certo que no filme não há menção a esse tipo de problemas e empecilhos, dando a entender que elas vivem numa redoma de vidro, entretanto o fato das pessoas assistirem e gostarem são um ponto positivo.


Dançando no escuro

Forte e Intenso, um belo filme

Dançando no escuro, longa do diretor Lars Vons Traier, segue uma linha que mais tarde também seria trabalhada em Dogville, outra grande obra do diretor que no caso é levar seus personagens principais ao extremo da dor. O filme começa com um jogo de cores ao som de uma música instrumental que à medida que você vai observando essas tonalidades se movendo, seus sentidos se confundem: medo, prazer, tensão, raiva, enfim vários sentimentos vão se misturando com ainda as cores em movimento e você agora não conseguindo mais codificá-las. Por meio dessa introdução já tem uma impressão de como o filme será.

Selma (Björk), uma jovem mãe, vem para os Estados Unidos com o sonho e objetivo de conseguir juntar dinheiro para uma operação delicada e cara para o filho. Ele, assim como a ela, sofre de uma rara doença genética que vai aos poucos tirando a visão da pessoa. Para que ele não passe pelos mesmos problemas pelo qual ela está passando, que no caso, a cegueira total, Selma resolve trabalhar constantemente em intensas jornadas de trabalho. Ela mora num trailer alugado com o filho e vive grandes musicais nos seus sonhos. Bill (David Morse) e Linda (Cara Seymour), seus vizinhos, juntamente com Kathy (Catherine Deneuve), uma colega de fábrica, a ajudam no que é possível, mas quando Bill se vê em dificuldades financeiras, rouba o dinheiro que Selma tinha economizado duramente, este roubo é o ponto de partida para trágicos acontecimentos.


Selma, como em outras personagens do diretor, possui uma inocência que não lhe permite mentir, roubar ou trair, mesmo que seja por uma boa causa ao fim. Sendo assim, não há lugar para ela nesse mundo selvagem como é a América ou outra parte do mundo. Mas se a realidade é dolorosa, o mundo em seus sonhos em que todos cantam e dançam de forma acrobática e com belos passos compensa a dor de sua vida. Traier usa as cores para separar estes dois mundos. A realidade com cores frias, pálidas, sem vida e cores quentes, vivas, pigmentadas nos seus sonhos. O som ambiente é muito bem aproveitado nas canções, na verdade eles são as primeiras notas e base para as canções.

Outro ponto que chama a atenção no filme é que os números musicais acontecem apenas na imaginação de Selma, ou seja, diferentemente dos musicais em que uma pessoa começa a cantar e todas a seguem com passos incrivelmente demarcados, em Dançando no escuro tudo é da mesma forma, porém, apenas nos sonhos e assim que o número termina, a vida continua de onde parou com severas conseqüências. As letras das canções são bonitas, dando destaque para I’ve seen it all. Forte e intensa, com uma letra evocando os motivos de ver e não ver o mundo em que vivemos. Foi indicada ao Oscar de melhor canção. As atuações estão excelentes. Há uma Catherine Deneuve meio apagada, mas ainda muito bem no papel, mas destaque mesmo para Björk, cantora que conseguiu levar muito bem a atuação. Ela conseguiu exprimir de uma forma bela toda inocência, medo e angústia da personagem. Levou o prêmio de melhor atriz em Cannes. 

La Vons Traier deixa a sua marca no filme em todos os momentos. O longa que começa leve, a medida que a história vai correndo torna-se denso, forte, intensamente dramático e trágico. Um filme em que não há espaço para finais felizes. Dessa história só podemos esperar o pior. Uma forte denúncia do diretor aos Estados Unidos, mostrado no filme como uma terra de aproveitadores e injustos. Uma nação em que as pessoas revelam o pior de si. O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e consta na lista dos 100 melhores filmes da década pela Revista Times. 


domingo, 1 de maio de 2011

Como esquecer


Elenco global em filme profundo e ousado.
Ana Paula Arósio é Julia, uma mulher amargurada depois que viu seu relacionamento de anos se desfazer. Após sua companheira deixá-la, ela se fechou de tal forma para todos, que nada mais lhe interessa. Não há mais motivo para riso, saídas ou palavras de ternura, o pior é que a todo o momento surgem lembranças delas juntas e esses momentos em que fora feliz a torna ainda mais fechada e solitária. Mas ela não está sozinha nessa, pois seu amigo Hugo (Murilo Rosa) vai tentá-la tirar desse mundo sofrível a todo custo, segundo ele, essa é uma dívida que ele tem com ela, depois que ela o ajudou a superar a morte do seu namorado.
Depois de muita insistência, Hugoa convence de alugar uma casa fora do centro de Rio, um lugar mais calmo e silencioso e junto deles vai morar também Lisa (Natalia Lage), uma amiga que está passando por maus bocados, grávida, o namorado largou dela, deixando-a totalmente desamparada. É com um tema ousado e forte, o homossexualismo, que o longa tentará mostrar uma situação a comum de todos nós. Quando um relacionamento chega ao fim, não pelas nossas mãos ou querer, mas pelo outro, seguir adiante é uma caminhada difícil e dolorosa, em que nos culpamos por tudo e deixamos com que o passado cegue nossa visão sobre o presente e atormente a possibilidade de um futuro. Essa é uma dor profunda e um momento pelo qual todos nós estamos sujeitos.
Num tom de primeira pessoa, conhecemos essa mulher tão fechada, distante e infeliz. Baseado numa obra, o longa é guiado pelas imagens, pelas ações de seus personagens e por uma narração em off que tenta explicar todos os sentimentos ou momentos de Julia. No caso, ela narrando a si mesma vai revelando suas angústias e dores.



O drama se perde um pouco devido a esse detalhe, pois essa narração o torna muito engessado, cansativo e exaustivo. O longa inteiro tem um peso sobre seus ombros, não há nada que denote felicidade. A fotografia é gélida e as paisagens com um tom frio, sempre com o tempo nublado e nem o mar consegue dar brilho e voracidade a esse cenário. A casa em que eles passam a morar meio que simboliza os sentimentos de todos, em especial a de Julia. Cômodos úmidos, desconfortantes, chegando a ser insuportável, nem mesmo o jardim salva a casa, mas é disso que eles precisam nesse momento. Algo que eles possam transformar e mudar aos poucos, embelezar. Todos estão num estado ainda de dor, Julia de auto-sofrimento, Hugo de luto e Lisa de incertezas.
Se o longa ficasse apenas nesses três personagens, provavelmente não conseguiria caminhar até um final, pois não há motivação neles, apesar de Hugo ser o único a tentar, ousar, encher a cara e colocar todos para cima, sendo um alivio em meio a tanta dor, ele também está sofrendo com a morte do seu namorado, ele ainda o ama e sente saudades. Mas próximo do meio da história entra em cena Carmem (Bianca Camparato), uma estudante que vive importunando Julia, que é a sua professora de língua inglesa e orientadora na produção do seu artigo. Ela é simpática, sempre trava fortes conversas com ela, demonstrando claramente suas intenções, porém Julia nunca se abala, afinal, seu espaço não está aberto para ninguém, entretanto ele sente o seu chão estremecer um pouco depois de conhecer Helena (Arieta Corrêa), prima de Lisa, essa sim é direta, ousada e capaz de quebrar essa barreira que há na vida dessa professora. Por Julia ser professora, o longa sempre coloca em debate a história de grandes clássicos da literatura, tentando entender os motivos de seus personagens e se a vida dos seus criadores influenciaram na produção de suas obras. Há um paralelo sempre constante entre a escritora Virgínia Wollfman e a vida dessa infeliz professora.


Com ousadia, diretora entrega um filme denso, extremamente distante, mas que apesar de todo o reluto e implicância de sua protagonista, mostra uma personagem real. O longa não está interessado em trabalhar com a questão de um novo amor, mas o caminho pelo qual passamos entre o fim de um relacionamento e as tentativas de encontrar um novo alguém. É sobre esse meio, sobre esse pedaço que a história quer trabalhar em cima. Não é um melodrama, há momentos também bem engraçados e leves e se deve a presença forte de Helena, suas diretas, pretensões e sensualidade a flor da pele pra cima de Julia que são muito divertidas. Outra personagem de destaque é a aluna Carmem, com um jeito gracioso, ela tenta se aproximar de sua professora, mas sempre levando pancada, porém nunca desistindo.
O elenco está muito bem afinado. Ana Paula Arósio faz uma personagem totalmente distinta de seus papéis na televisão, alias esse é um filme que dá fôlego a sua carreira, pois sua atuação foi muito bem recebida, Murilo Rosa é outro que mostra carisma, apesar de abusar dos trejeitos para interpretar um gay, convence no papel. Natalia Lange está bem, mas a sensação que se tem é que ela fica a sombra desses dois personagens, mesmo ela tendo uma história forte também, não é bem trabalhada e sendo assim, sua atuação fica apenas boa e correta. Agora, Arieta como Helena é demais, ela, em minha opinião, rouba a cena, o momento e a hsitória, da mesma forma que  Bianca, a jovem estudante.

Há momentos delicados e poéticos no longa, como também há ternos e singelos, porém o desfecho consegue imprimir bem uma veracidade a todos esses personagens. Nada fantasioso, mas apenas real. Um drama diferente e ousado, pois mostrar uma professora lésbica sendo disputadas por duas mulheres e tendo um amigo gay, não é todos os dias que se vê no cinema nacional, ainda mais com figuras tão globais assim.
“Como esquecer” não é marcante, mas consegue trabalhar muito bem esse drama, essa dor tão comum e presente em nossas vidas. Seguir a diante não é tão simples e fácil assim, há todo um percurso, um caminho e sentimentos para serem vividos. 



Normal


Um filme sobre a dor. Como suportá-la e se manter vivo.
Catherine ainda não consegue suportar a perda do filho que morreu num acidente de carro. Walt sente-se traumatizado pelo acidente que provocou, Jordie acaba de sair de um reformatório, não tendo um bom relacionamento com o pai, terá um caso com a madrasta, deixando a situação ainda mais problemática. 
Todos esses três personagens têm como ponto de ligação um acidente. Jordie roubou um automóvel juntamente com um amigo, filho de Catherine, mas bateram de frente com o carro de Walt que via em alta velocidade. Nesse incidente, todos saíram feridos. Catherine morre aos poucos pela perda do filho, Jordie sente-se culpado pelo que cometeu, já que a ideia de roubar o carro partira dele e Walt, por ter matado alguém, mesmo que acidentalmente, além de encarar essa morte, ele tem que lhe dar com o irmão, que é autista e estava tendo uma boa evolução no quadro, mas que devido a esse acidente (ele também estava no carro) passou a ficar todos os dias em casa com medo de que tudo pudesse acontecer novamente.



O longa caminha a todo o momento tentando entender o que esses personagens sentem. Não há como decifrar o que passa pela suas mentes. Seus atos também não são compreendidos. Jordie se envolve com a esposa de seu pai sem explicação aparente, mas depois se vê numa situação desconfortável quando ela começa a demonstrar ciúmes dele com uma amiga. Walt se separa da esposa e tem um caso com uma aluna, o que era para ser apenas sexo, ele leva como sério. Catherine fica sempre paralisada, sem reação, com seu filho mais novo em sua frente pedindo atenção e ela o esnobando constantemente. Ela não quer que ninguém toque nas cosias do seu filho que morreu, somente ela pode entrar no quarto e senti-lo novamente. Ela não permite que ninguém siga adiante.
É com esses sentimentos tão pesados que o longa vai direcionando essas vidas. Ao final, nada se resolve tão facilmente, alguns personagens tomam um rumo, outros simplesmente ficam sem reação. Nesse ponto que reside o ponto interessante desse filme. Nem todos acham um final ou uma solução para os seus problemas, sendo assim, nem todos os finais são realmente de fato um desfecho, mas apenas uma continuidade. A vida prossegue e os problemas também. 



A direção é boa, faz o longa caminhar dentro de um drama intimista e profundo. O diretor não quer explicar como aconteceu o acidente e nem tão pouco como era a vida deles antes desse fato, mas apenas trabalhar com a dor do agora. Ele quer trabalhar com o luto de todos esses personagens, pois afinal, uma pessoa morreu e com ela foi uma parte de cada um destas pessoas. Desde a mãe que não suporta a ideia de ver um filho morrer diante dos seus olhos, a de um jovem que sente-se perdido e desorientado na vida, martirizado pela morte do amigo ou a do professor que sente-se duplamente culpado: pela morte do jovem e pela instabilidade do irmão, que aos seus olhos regrediu devido a esse acidente. Em falar nisso, a relação dos dois é uma das mais interessantes do longa. A forma como ela é guiada, as dificuldades do rapaz em sair de casa, o cansaço do irmão em ajudá-lo, são muito bem trabalhadas.
A relação de Jordie com sua madrasta também se coloca bem no filme, mais por parte dela do que dele. Podemos perceber por quais motivos ela se envolve com ele, já ele não fica tão claro, talvez tenha feito isso por raiva do seu pai, pelo momento que está passando, pois afinal ter um caso com a esposa do pai não é tão comum assim. Com Catherine, o universo é de dor, pois tudo lembra o seu filho e ela faz de tudo para não se esquecer dele, as cenas do supermercado e a das flores no local de morte dele são muito comoventes.
Com relação a trilha sonora, o destaque ficam para os instrumentais que começam o longa e para a música que finaliza o filme. Uma melodia triste e gostosa, uma letra trágica e envolvente. No elenco nomes de peso como Carrie Anne Moss e Kevin Zegers. Ela, uma atriz que sempre ficará lembrada como a Trinity de Matrix, porém que tem em seu currículo personagens muito mais densos e marcantes e ele que obteve ótimas criticas com sua atuação em Transamérica.
O filme que é canadense teve pouca distribuição nos Estados Unidos e Brasil. Difícil encontrar informações sobre o filme ou sobre sua recepção no país de origem ou outros festivais por onde tenha passado. Porém, isso é o de menos, pois é um ótimo drama que faz um trabalho muito perspicaz sobre a dor e como esse sentimento pode nos consumir por inteiro. Essa história lembra a de outro filme que está para ser lançado ainda em 2011 com alguns nomes nobres no elenco: Ana Paquin, Matt Damon eMarck Ruffalo. Na trama, um acidente de carro e quatro pessoas que tentar sobrevier após esse fato.