quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mais estranho que a Ficção


Com um estilo feito Adptação e Brilho eterno de uma mente sem lembranças,, em que uma história se intercala com outra dentro, causando uma grande confusão, isso num bom sentido, essa comédia é leve em seu argumento, singela em sua proposta e engraçada em seu resultado final.

Harold Crick (Will Ferrell) todos os dias acorda cedo, toma seu banho, escova os dentes e vai trabalhar. Todos os dias ele levanta sempre no mesmo horário, sai de casa na hora exata e caminha a quantidade certa de passos, tudo é cronometrado, ele tem o controle de tudo. Tem uma boa vida, apesar de ser um pouco solitário, mas nunca se preocupou por isso.

Todas essas informações sobre esse sujeito, podemos ver pelas suas ações, mas também sabemos por meio de uma narradora onipresente. Ela descreve todos os atos, pensamentos e sentimentos do nosso protagonista, só que tem um porém, ele também a ouve. E essa voz na sua cabeça que fará com que ele cause enlouqueça.

Como ele percebe que essa voz possui um vocabulário muito culto, coisa que ele não tem nem a metade, ele resolve procurar a ajuda de um professor de literatura para ajudá-lo, Professor Jules (Dustin Hoffman). A ideia é tentar entender o que está acontecendo. No meio disso tudo, ele tem que fazer a auditoria na loja de uma moça, Ana Pascal, (Maggie Gyllenhaal) que está meio pendurada com a Receita e ainda descobrir se a história de sua vida é uma comédia, romance ou tragédia.

Distante de tudo isso, temos Kay Eiffel (Emma Thompson), uma escritora que está tentando dar um fim ao seu livro, ou seja, matar o seu protagonista. Ela terá a ajuda de Penny (Queen Latifah), uma enviada da editora encarregada de fazer com que Penny escreva rapidamente esse desfecho, o porém é que justamente essa é a escritora que fala aos ouvidos e mente de Harold.

Com uma história irreal, Mais estranho que a ficção mostra a vida de um sujeito em seus devaneios. E se nossas vidas fosse contada pela mente de uma escritora psicopata, ou de antemão tivessemos uma voz que guiasse todos os nossos passos e nos explicasse nossos sentimentos ou preocupações? A não lógica guia essa comédia, um jogo de metalinguagem, onde diferentes tipos de se contar histórias estão entrelaçadas e uma está contida na outra. É a história que guia Harold ou ele que guia o enredo desse livro?

A comédia é suave, sem grandes momentos, mas o trabalho como um todo é muito bacana. O filme é divertido e as vezes é trágico também. A trilha sonora é muito gostosa e em falar nisso, o álbum desse filme é ótimo, com excelentes canções e algumas poucas score que também merecem destaque.

O elenco é maravilhoso. Will Ferrell, ator marcado por comédia, aqui nesse filme, tem seu lado dramático bem trabalhado. Apesar disso não ser o forte dele, Ferrell se sai muito bem, uma boa atuação, misturando um tom cômico e trágico ao mesmo tempo. Emma Tompson é hilária, sempre fumando, com cara de doente, expressa muita veracidade à sua personagem. Maggie Gyllenhaal empresa seu carisma e Hoffman seu talento, Um bom time de elenco de apoio.

A direção é de Marc Foster,depois de se lançar no intenso A última Ceia e no mágico e encantador Em busca da Terra do Nunca, aqui dirigi um filme mais simples, uma comédia mais light, porém que não deixa de ser um bom programa.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Amor a toda prova


Cal Weaver (Steve Carrel) está num restaurante com sua esposa Emily Weaver (Julianne Moore), o clima entre eles é normal, nada diferente, é o de sempre, quando do nada ela inexplicavelmente pede o divórcio. Durante a volta para casa, enquanto ela dirige, ele tenta levar essa notícia naturalmente, pois afinal é adulto e maduro. Ele a questiona pelo motivo, Emily afirma que teve um relação com outro homem do serviço, os dois não estão nada bem, é nesse momento que ele percebe em que situação se encontra.

Pior do que levar um pé na bunda é tentar levar uma vida de solteiro novamente, ainda mais quando se percebe que nunca teve de fato essa vida, já que os dois eram casados de longa data. Indo num bar todas as noites chorando e reclamando de sua vida, ele acaba por conhecer Jacob (Ryan Gosling), um típico mulherengo que pega todas. Jacob é jovem, bem resolvido e direto no que deseja, vendo a situação de Cal, resolve tentar salvar essa pobre alma de uma vida tão desgraçada. É nesse momento que os dois ficam amigos e ele transforma por completo esse recém divorciado.

No meio desse aprendizado, Cal tenta esquecer Emily, enquanto ela ainda recebe investidas de David (Kevin Bacon), seu breve caso do serviço, e Jacob tenta convencer uma garota que ele acaba de conhecer, Hannah (Emma Stone), de sair com ele, contudo ela é um pouco mais difícil de cair na queda. Além desses casais, conhecemos também Bem, filho adolescente do Cal e Emily, que está apaixonado por Cristal, a babá, mas ela, por sua vez, está apaixonada pelo pai dele.



Amor a toda prova é um filme divertido e engraçado, uma típica comedia romântica para homens, pois aqui são eles que estão no centro da trama envolto de dúvidas e questionamentos. O longa demonstra dois homens típicos: o totalmente seguro de si, de suas escolhas e que nunca se vê por baixo e aquele mais receoso, com a moral lá embaixo.

Por mais que esses homens sejam tão diferentes entre si, os dois sofreram do mesmo “mal”, o amor. É nesse sentido que o filme vai querer abordar, como esse sentimento pode nos derrubar literalmente. Seja com Cal, pois mesmo saindo com várias outras mulheres, ainda ficará preso a um forte sentimento por Emily, sempre tentando voltar com ela ou Jacob que depois de conhecer de fato Hannah, ficará loucamente apaixonado por ela, quebrando todas as suas regras de conquistas.

O longa possui um elenco maravilhoso, um roteiro bem inteligente, visto de muita comédias lançadas recentemente ao mercado. Esse filme consegue agradar e brincar um pouco com os clichês, somente o final mesmo que não agrada muito, mas isso deve ser culpa de Steve Carre, já que ele também é um dos produtores do longa e adora fazer um discurso meloso aos finais das histórias, porém até esse falatório é suportável por ser muito comovente e verdadeiro. Essa comédia lembra muito outra com esse mesmo Steve, Eu, meu irmão e nossa namorada.


A trilha sonora é boa, não estraga as cenas, o roteiro tem alguns momento únicos, como na cena da chuva, hilária. As participações pequenas de alguns atores são ótimas, em falar nisso, o elenco é o melhor do filme.

Steve Carrel e Ryan Gosling brilham no filme, sendo Gosling o que mais impressiona, apesar dele ser menos importante na história comparado a Carrol, ele se sobressai. Juliane Moore e Emma Sotne estão ótimas. Moore linda como sempre, empresta seu carisma, competência e sinceridade a sua personagem, pois mesmo ela tendo traído seu marido e pedido o divórcio, ainda sim, não sentimos raiva ou insensibilidade por sua atitude, enfim, ela está ótima. Crystal Reed como Amy, amiga de Hannah, é a melhor, as cenas com as duas são muito bacanas, a amiga dela salva o arco da personagem de Emma.

Kevin Bacon e Marisa Tomei fazem pequenas pontas, mas Tomei está nos momentos mais criativos e engraçados do filme, seus ataques de raiva são ótimos, uma excelente atriz com boas participações em filmes, mesmo sendo estas pequenas.

No mais, é um filme básico que consegue se manter acima da média fazendo uma “análise” de como o amor com o passar dos anos pode ser o único motivo para que um relacionamentos chegue ao fim, afinal, a paixão com tempo acaba, e o amor? Esse sentimento é sim estúpido, louco, mas quando ele passa por diversas provas no decorrer da vida como traições, mentiras, ciumes e perdão e ainda fica de pé, é porque ele ainda está vivo e presente e merece ser vivido.




Incêndio


A dor é dilacerante. O destino as vezes nos mostra caminho desconexos e que ao final, revelam-se muito maior do que nós. Uma história sobre o ódio e o amor na mesma medida e patamar. Um drama em que o passado caminha lado a lado com o presente e de mãos dadas com o futuro, um amanhã incerto, cheio de dúvidas que somente poderão ser esclarecidas quando o passado ter sido aceito e o presente compreendido.

Nawl (Lubna Azabal) morreu há pouco tempo, no testamento destinado aos seus dois filhos, ela deixa um pedido. Eles só poderão enterrar o corpo dela e seguir todos os rituais que a religião pede quando eles realizarem um último desejo dela, uma tarefa que ela não conseguiu cumpri em vida. Voltar ao seu antigo país e entregar uma carta ao irmão mais velho e ao pai deles. A surpresa para os dois filhos com relação a esse pedido fica por conta da notícia de que eles tem um irmão que jamais ouviram falar e que o pai deles ainda pode estar vivo.

Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin), mais sentimental e tentando compreender o motivo de sua mãe nunca ter comentado da existência sobre o pai e o irmão , resolve realizar esse pedido da mãe. A partir desse momento, vamos conhecendo pouco a pouco a história dessa mulher. Conheceremos sua vida, seu passado e seu drama. Paralelamente a isso, também entenderemos um pouco esse presente, até o motivo de sua morte.

Simom (Maxim Gaudette), o irmão gêmeo de Jeanne segue para esse país bem depois. Mais distante da mãe e nenhum pouco interessado em tentar entender os fantasmas desse passado, ele permanece neutro no começo do filme, mas a pedido da irmã vai ao encontro dela, até que se vê envolvido fortemente nessa história.


O filme é divido em capítulos, sendo que “Incêndio” que dá título ao drama, somente será apresentado ao final da história, como conclusão. A trama sempre será coordenada por fortes pulos no tempo. No começo, há uma certa dificuldade em assemelhar o passado e o presente, já que as duas atrizes são muito parecidas, mas conforme vai se desenvolvendo o drama, vamos percebendo a diferenças entre os dois tempos, e isso se dá devido ao peso do clima que percorre a paisagem, tenso no passado e uma calmaria e sossego sobre o presente.

Incêndio é um filme soberbo, arrebatador e dilacerante como um todo. Uma história forte e intensa, que poderia cair no mais puro sensacionalismo irreal se não fosse o trabalho ótimo do seu diretor. A trilha sonora é competente, misturando instrumental, ruídos, silêncios e toda sorte de som capaz de camuflar sentimentos e direcionar o espectador.

A montagem é eficiente, alterna passado e presente com competência. Todo o fato do passado ganha sentido no presente. Outro ponto interessante é o o clima de mistério criado em cima da personagem Nawl, Ela é uma mulher que tem a dor e peso da vida sobre seus ombros, mas o motivo não sabemos, algo está errado em sua vida, mas o que é, somente ao final saberemos.



Com relação a história do drama, seu grande triunfo se concentra ao final do longa e, na trama criada em torno do mistério envolvendo Nawl e a busca de seus filhos pelo irmão mais novo e o suposto pai que está vivo. A vida é uma verdadeira caixa de surpresas, o perdão e a raiva caminham lado a lado. O mesmo semblante que pode ser de amor, pode também representar ódio e raiva, numa ferida imensurável. “Pode um mais um ser igual a dois”, é com esse diálogo cheio de simbologia que o filme entrega um desfecho arrebatador.

Não é possível ficarmos neutro diante dessa revelação, desse fato, o único pecado do diretor é explicar em imagens, sons e no próprio diálogo essa verdade, se tivesse ficado apenas nessa expressão, esse roteiro seria um dos mais metalingüísticos e simbólicos da história do cinema.

O longa foi merecidamente indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, como representante oficial do Canadá, mas injustamente não levou o prêmio. Em um mundo melhor, filme ganhador deste Oscar, tem suas qualidades e sim, também é um filme excelente, cheio de nuances com um drama competente, porém esse Incêndio consegue ser superior na história, no desenvolver da trama, na mensagem e na forma como conduz o tema violência.



Há uma forte tensão envolvendo questões religiosas nesse território, sendo que em nenhum momento do longa sabemos de fato qual é esse país, supõem-se que seja Líbano. Islâmicos e cristãos estão num sangrento confronto, mas apesar de ser o primeiro grupo a levantar uma revolta armada, proibindo a livre expressão da religião, são com os cristãos que acontece a cena mais forte e impactante do filme. Um ônibus com islâmicos é cercado por um grupo de pessoas e todos são mortos a sangue frio sem piedade, sendo apenas Nawl a única a sobreviver, seu crucifixo que antes a condenava, naquele momento a salvou. A câmera, nessa cena e durante todo o longa, assume uma posição de observador que fica sempre a distância. Não é o interesse do diretor dar valor ou tentar escolher um lado, mas apenas ver como simples homens podem ser impiedosos e provocar atos irracionais.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Melancolia e a tragédia do fim


Belamente trágico, terrivelmente profundo. O fim de toda Terra pelos olhos de Lars Von Trier

Justine (Kirsten Dunst) está indo para a festa do seu casamento. Devido a um contratempo, o casal chega atrasado à festa que foi sistematicamente organizada pela sua irmã, Claire (Charlote Gainsbourg). Durante a cerimônia, toda a família juntos de amigos estão reunidos. O que era para ser um momento de felicidade, na verdade esconde algo, há uma penumbra de incertezas no ar. Algo não está certo e nos primeiros momentos podemos perceber uma infelicidade nos olhos de Justine. Nem essa festa, sendo realizada num grande castelo, com uma arquitetura medieval digna de sonhos, conseguem mudar os ares de tristeza dela. Claire percebe, mas nada pode fazer, a não ser esperar pelo pior e ele acontece.

Passado uma semana, ficamos sabendo que um planeta chamado Melancolia está vindo em direção a Terra. Alguns afirmam que ele passará sem se chocar com o planeta, outros corroboram com toda a certeza: é o fim do mundo. É com esse drama, envolvendo o medo da morte e do fim inevitável, que Trier irá trabalhar com as fraquezas, medos, receios, temores e limitações do homem.




Há um sentimento de angústia há todo o momento percorrendo os caminhos destes personagens. Se na primeira parte, intitulada Justine, é com relação a própria protagonista deste prólogo, na segunda parte, chamada Claire, é dela e seu marido temendo o fim da Terra.

O drama é divido em duas partes, Justine e Claire. Em cada parte, conheceremos um pouco melhor cada personagem. Na primeira, temos como centro das atenções Justine. Ela é bela, jovem, com um futuro promissor na vida profissional. Está noiva de um homem que a ama e que sempre tenta compreender a tristeza dela, mesmo com ela o desprezando e o abandonando por diversas vezes. Porém, mesmo com tudo isso, ela se sente infeliz. Há uma depressão em seus olhos, uma verdadeira melancolia sobre sua existência. Ela é a própria materialização desse sentimento. Suas ações são desconexas, nem nós a entendemos direito.

Na segunda parte, conhecemos Claire. Ela é casada com John (Kiefer Sutherland), um homem que confia cegamente na ciência. Eles têm um pequeno garoto. Ela é super sistemática e controladora, aos seus olhos, nada pode sair errado. Sente que deve proteger a irmã, pois a considera muito frágil. Mas ao saber da possível colisão desse planeta com a Terra, seu mundo desaba e ela se perde em toda a sua certeza. Assim como ela, John também. Nessa segunda parte, esse planeta é a própria melancolia, esse estado de profunda tristeza sem fim e sem um motivo aparente.


Essas duas irmãs são pessoas extremamente oposta. Se uma é mais melancólica com relação a vida, a segunda parece estar ciente da vida e das suas escolhas. Porém, próximo ao final, meio que se invertem os papéis, Justine toma uma consciência e uma aceitação da vida e do fim, enquanto sua irmã fica desorientada. Ela ainda não está pronta para esse fato.

Ainda com relação a essa separação dentro da história, na primeira parte do longa, Trier meio que se volta ao seu antigo movimento, o “Dogma 95”. Usando de uma iluminação meio artificial e a câmera em movimento, trafegamos pelos vários momentos dessa festa, outro filme que lembra muita essas cenas é o “Casamento de Rachel”. Aqui a trilha é suave, os tons são quentes e o peso está sobre a atuação de Dunst.

Já na segunda parte, a fotografia é mais fria e gélida, com cenários campestres dando uma sensação de total abandono. Só há na residência Claire, John, o filho do casal e Justine. Nessas cenas e nas demais, a trilha é usada belamente e constantemente.

Trier com esse drama faz um belíssimo trabalho. Tanto a trilha sonora, quanto a fotografia, o trabalho com o elenco e os planos estão fenomenais. Tudo é orquestrado com precisão. No começo do longa são mostrados cenas desconexas das duas irmãs, na verdade é como um prólogo do que será o filme e esse início é o “Prólogo”. Essas cenas são simplesmente soberbas, pois há tanta técnica e sensibilidade, um trabalho único dentro do cinema atual. A trilha, se utilizando em grande escala o prelúdio da ópera Wagner intensificando a angústia e as ações das personagens. A posição dos atores, do campo, das árvores, tudo foi minimamente planejado. Após essa sequência de imagens, há um forte clarão, o fim e título do filme, Melancolia. A partir desse momento, temos o começo do drama.

Apesar de toda tristeza e um final tão trágico para essa história, esse filme é ainda uma reflexão positiva sobre a existência. Na vida tudo passa, inclusive a dor e a amargura e esse planeta significa isso.

Em tudo há um fim e Melancolia é materialização dessa dor sendo expurgada da vida, levando consigo toda sua desilusão, amargura e hipocrisia. O que fica ao final é uma sensação de descanso e conforto, pois se a vida chega a seu derradeiro fim, com ela também todo o seu sofrimento e infelicidade em existência.

Com relação ao elenco, Trier mostra mais uma vez ser extremamente competente em direcionar o elenco, pois todos estão ótimos em suas atuações, desde as duas protagonistas, Kirsten Dunst e Charlote Gainsbourg, quanto o elenco de apoio, cercado por ótimos atores como Kiefer Sutherland e Stellan Skarsgard. Mas quem se sobressai é Dunst numa atuação belíssima, premiada em Cannes como melhor atriz.

A meu ver, esse filme poderia ter recebido a tanto deseja Palma de Outro, se não fosse a declaração inconivente de Trier a respeito de compreender Hitler. O filme que levou esse prêmio foi o “Árvore da vida”. Tanto esse filme, quanto “Melancolia” trabalham com a mesma temática: uma reflexão sobre a vida, diante da inevitável morte. Porém a obra de Trier tem muito mais peso e profundidade.
Há uma densidade na história, um melhor trabalho sobre os personagens. Há uma causa motivando as ações e os pensamentos deles e por mais que essas sejam subjetivas e abstratas, podemos perceber. Um filme belíssimo que nos causa o amor ou o ódio pela obra desse diretor, mas sempre provocando em nós alguma reação.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O primeiro que disse


Homossexualismo é trabalhado de forma leve e despretensiosa, porém com seriedade e honestidade.
Tommaso (Ricardo Scamarcio) é o caçula da tradicional família Cantone, proprietária de uma fábrica de massas de macarrão do sul da Itália. Morando em Roma com o namorado e tentando emplacar um livro, ele resolve retornar à sua casa para assumir sua sexualidade perante a sua família, pra assim poder viver a vida que tanto deseja.
Tudo vai como o planejado, o problema é que antes dele revelar essa verdade, Antônio (Alessano Preziosi), seu irmão mais velho, toma a dianteira e se assume gay. O pai deles, Vincenzo Cantone (Ennio Fantastichini), não aceita esse fato e o expulsa de casa e da empresa da família em que trabalha, para depois ter um enfarte. Tommaso não sabendo o que fazer, fica na retaguarda e em silêncio. A pedido do pai, assume os negócios da família, mesmo a contra gosto e vê a chance de poder contar aos seus pais que é gay cada vez mais distante da realidade.
É com essa comédia bem agridoce que o diretor abordar essa difícil missão: a aceitação por parte da família. Aqui no caso, a situação só tende a ficar mais negra pro lado de Tommaso. Seu pai não aceita o filho gay, sua mãe não entende em que pontos eles erraram. Sua tia fica em choque, a irmã apenas confirma o que já sabia e a avó, é a única que aceita a situação toda.

Ele, a cada dia, se prende a essa vida que não queria ter, mas sabe o peso de se assumir neste momento, então ele mantém a seriedade. Mas com a chegada de alguns amigos de Roma que vieram junto de seu namorado para visitá-lo, sua situação se complicará ainda mais, já que estes são super discretos.
O filme tem uma mistura super agradável entre a comédia e o drama. Há o momento cômico da história e elas acontecem com mais impacto na chegada dos amigos de Tommaso a casa de sua família. Eles simplesmente roubam a cena com seus trejeitos e com suas tentativas de se passaram por homens hétero e sérios, mas que sempre dão uma bola fora. Esse é o lado mais divertido do filme, pena que eles aparecem somente ao final, se tivesse entrado antes, renderia cenas ainda mais engraçadas, dando mais leveza a esse tema tão delicado.
Porém o longa também tem uma linha dramática quando o momento pede e é a trilha sonora com um instrumental muito bonito que dá essa mostra. Há na tela a dificuldade por parte do nosso protagonista em contar um assunto tão delicado, que não envolve apenas ele, mas toda a sua família e a difícil aceitação dos pais dele em assumir a homossexualidade do filho mais velho. O que há ali é a falta de conhecimento, talvez tolerância ou uma tentativa de compreender o que outro sente.


Há dentro do filme uma história paralela acontecendo, dando a entender que essas ações ocorrem no passado e tem ligação com avó de Tommaso, a matriarca da família. É por meio da resolução da história dela é que podemos compreender a aceitação que ela tem com relação aos seus netos. É errando e enfrentando a todos que se vive e se busca a felicidade.
O filme é leve, não força o tema e o trata com muita suavidade. Talvez por isso seja tão honesto é divertido. No elenco, Ricardo Scamarcio encarna Tommaso. Uma atitude um tanto corajosa, já que ele é considerado na Itália o grande galã do momento, algo como Cauã Reymond ou Bruno Gagliasso por aqui ou até mesmo Thiago Lacerda. Em falar em elenco, todos estão muito bons. A trilha é gostosa, ótimas canções. A tiradas cômicas são certeiras e o drama envolvendo cada personagem é terno e muito comovente. É percebível claramente uma solidão em Luciana (Elena Sofia Ricci), um amor não correspondido por parte de Alba (Nicole Grimaudo) com relação a Tommaso e por assim em diante.
O primeiro que disse é hilariante, divertido, um tanto reflexivo e um tanto intenso na medida em que o drama pede.  


terça-feira, 22 de novembro de 2011

True Blood 4ºano: Tenso, muito tenso


A vida é muita vezes injusta. A dor está ao nosso derredor de todos os modos, da mesma forma que a morte, o medo, a sensação de fraqueza e a limitação também. O que podemos fazer diante de tal fato? Apenas aceitar e continuar respirando, continuar com os sofrimentos, com os dias e as noites. O que vem após a morte é uma incógnita, porém mesmo diante dessa incerteza, ainda cremos que se há vida lá do outro lado, essa possa contornar a dessa, é nisso que nos confortamos e, de certa forma, esperamos. É nesse aspecto que a quarta temporada de True Blood se concentra.

O quarto ano mostrou-se superior a terceira temporada em vários aspectos. Com histórias mais costuradas, uma maior interligação entre as tramas paralelas e o melhor desenvolvimento de alguns personagens. A batalha final, como de costume no seriado, foi o fraco da temporada. Poderia ter havido um maior confronto e tensão entre as bruxas e os vampiros, mas tudo se resolveu muito rápido.

Após Sookie descobrir a verdade sobre Bill, ela o expulsa de sua vida. Segue amargurada para o cemitério, único lugar de descanso para ela, pois nesse local, ela não pode ouvir as vozes dos que estão a sua volta e pode ficar mais perto de sua avó. Nesse momento surge Claudine e a leva embora, para um outro lugar onde ela poderá se sentir mais em casa e protegida. O terceiro ano acaba aí. É nesse exato instante que começa a quarta temporada.



O mundo das fadas proposto por Ball lembra muito o do filme “Sonhos de uma noite de verão”. Um cenário meio tosco, uma luz clara e forte, envolta de uma árvore meio antiga e rústica. Lá estão varias pessoas que assim como ela, têm a capacidade de lerem mentes e dentre essas está o seu avô. Só que nesse local, nem toda a beleza é de fato bela, ou nem todo paraíso é de fato um verdadeiro paraíso. Esse refúgio das fadas guarda um tom sombrio e quando ela percebe em que terreno está pisando, Sookie tenta fugir com seu avô, que estava nesse reino há anos. Após esse primeiro confronto com uma possível vilã, ela consegue retornar para a sua casa. Ao voltar, é pega pela informação que se passaram 18 meses desde que ela deixou Bom Temps e nesse meio tempo, muita coisas haviam mudado.

Após essa informação, vamos vendo como está casa personagem pós um ano praticamente, alguns mudaram outros nem tanto. Arlene fica cada vez mais aflita com relação ao seu filho, achando que ele possa ser algo perigoso. Jess e Royt lidam com a difícil tarefa de viver um casamento. Sam conhece um grupo de metamorfos e com eles passa a descontrolar a sua raiva. Seu irmão é acolhido por Maxine como filho e tenta manter a pose de bom moço. Jason adquire mais responsabilidade ao tomar conta da tribo dos homens-panteras.

Tara passa a viver em Nova Orleans, começa a se relacionar com uma outra garota e ganha a vida  em torneios de luta livre e seu primo, Lafayte junto de Jesus, vão tentar entender a razão dos seus poderes. A mudança mais radical fica por conta de Bill, que após o confronto com a rainha, consegue eliminá-la e torna-se mais novo Rei do pedaço, ficando acima de Erick, esse que por sua vez já declarou seu amor por Sookie e espera o retorno dela. Ainda nos primeiros episódios somos apresentados em passos lentos às bruxas e, pouco a pouco, vamos vendo como elas dominarão a temporada.



Algumas tramas foram encerradas ainda no começo da temporada, como é o caso do Jason, sua louca paixão por Cristal e sua relação com a tribo da garota. Os pais de Sam deixam a temporada, mas antes provocam mais tensão na trama, colocando em ápice um personagem que já estava meio apagado. Com Tommy sendo o responsável pela morte deles, uma nova mitologia adentra o universo de True Blood. Essa ideia rendeu bons momentos e também selando a participação desse personagem no seriado ao estilho mais intenso e trágico possível. Eu, particularmente, gostei muito do modo como sua história foi encerrada na série.

O filho de Arlene que até a última temporada dava contornos que seria algo macabro revelou outra coisa completamente diferente. Está certo que Ball frustrou as perspectivas de praticamente todos diante desse baby, mas não pode-se negar o tom leve, suave e sensível proposto pela história. O que move essa quarta temporada é a nossa incapacidade de mudarmos as condições de nossas vidas e como isso nos fere e essa personagem que interage com essa criança representa fielmente isso. O arco abordado envolvendo essa louca família interligou com o drama de Lafayate, fechando assim as histórias e promovendo uma união entre os diversos núcleos. Da mesma forma que o terreno envolvendo Jessica, Hoyte e Tara foram se convertendo para o eixo principal: bruxas.

As bruxas são humanos que possuem uma certa sensibilidade para com os elementos sobrenaturais. Odiadas pelos vampiros, devido a um fato do passado, elas buscam vingança. Antônia, a vila desta temporada, possuiu o corpo de Marmie para que ela pudesse se vingar dos vampiros, já que estes abusaram dela e de outras como ela em tempos antigos. Por elas serem figuras muito poderosas, capazes de até dominarem esses seres da noite, o confronto entre eles renderam boas batalhas.

Um dos elementos que chamaram a atenção desse quarto ano foi a perda da memória de Erick. Após confrontar Marmie, ele perde todas as suas lembranças e Sookie passa a protegê-lo. Essa ligação foi um dos fatos mais bacanas. Já havia entre eles uma certa química e tensão, com esse novo elemento, a fadinha pôde conhecer um outro lado desse vampiro sanguinário, se rendendo aos prazeres carnais com ele. Além desse ponto, vários foram os outros elementos que deram fôlego a essa série, como a mudança mais do que bem vinda de Tara e sua aproximação com as artes de bruxaria. A personagem de Holly ganhou mais destaque e conjuntamente de Sookie e Tara deram um ponto final a todo esse lance de espíritos e feitiços.

Episódios bons foram vários, destaque para o que abre a temporada, o oitavo e os três que encerram o ano. Como de costume e dando a entender como uma característica da série, toda a trama se desenvolveu no penúltimo episódio, com apenas uma extensão de poucos minutos no episódio final. Mas toda sesalon finale foi usada para apresentar novos temas e assuntos que serão abordados na temporada seguinte.

O episódio final lembrou muito outra série trabalha por Ball, A sete palmos. A morte esteve constantemente ligada a todos os personagens da série de uma forma muito terna e delicada. Seja na aceitação da vida por meio da personagem de Marmie, no retorno dos espíritos ou na relação final entre Lafayate e Jeses que ao meu ver foi a mais terna.



“Continue respirando”.

Sem dúvida essa foi a trama que mais me chamou a atenção, tanto pela naturalidade como abordaram o homossexualismo, sem esquecer do preconceito em torno deste tema, quanto pela questão da morte enquanto vida. Lafayate resume o tema principal desse ano, a dor está em suas mãos, em seus olhos. O que fazer quando não há mais motivo para se viver, quando há a sensação de que a vida e o destino foram injustos e amargos com você? Nada, não se pode fazer nada, apenas continuar respirando e deixar com que a raiva se amenize para que um dia ela torne-se suportável. Não podemos mudar os traços e escolhas de nossas vidas, não podemos controlar o nosso destino, podemos apenas aceitar a vida, a morte, a dor e apenas continuar, simplesmente continuar.

Umas das críticas feitas a série é que nela haviam muitos personagens que estavam dispersos da trama principal e isso ficou muito claro na terceira temporada, sendo um recurso que não deu muito certo. Já nesse quarto ano, houve uma maior conexão entre os núcleos da série. Outro ponto positivo foi o massacre ocorrido nesse quarto ano, ao todo oito personagens tiveram suas vidas ceifadas.

True Blood está caminhando para seu quinto ano. Ao meu ver, a série já está chegando naquele momento em que se deve pensar num final para ela. Está certo de que os livros das quais ela é baseada tem mais de oito publicações, mas elas são duas obras distintas, uma é literatura e outra cinema.

Allam Ball já deu algumas entrevistas de que não pensaria na série ultrapassando sete anos, pois aos seus olhos, não seria interessante e além do mais, os atores envelhecem e como isso faria sentido aos vampiros que são eternamente jovens. True Blood ainda continua intensa e ótima, mas seu final já tem que ser pensando e suas tramas fechadas. Muitas séries provaram da longevidade e não deram muito certo, mesmo tendo ótimos arcos e um excelente argumento e roteiro, pois o fim chega e não há como negar isso.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Som no Cinema: O ruído Expressa


“Todos os ruídos têm um sentido, todos são ritmados [...]. Tão mais inebriantes quanto são os sentimentos da solidão” (WEILL apud MORAES, 1983, p. 34).
Os ruídos expressam idéias, pensamentos, circunstâncias, interferências, condições da vida e tantas outras situações que se pode ou deseja ter conforme o objetivo daquele que pretende repassar algo. Pode-se colocar como ruído todo e qualquer tipo de som que está ligado a paisagem sonora (SHAFER, 1991) . Desde sons que movem a cidade ou o campo, dos mais característicos aos mais imperceptíveis. Devido ao homem receber grandes quantidades de informações sonoras atualmente, é de extrema complexidade conseguir distinguir ou decifrar todos os ruídos que lhe cercam, somente quando estes lhe causam algum mal ou irritação é que se pode percebê-los.
Após a Segunda Guerra é que começou de fato os estudos sobre os ruídos na construção da música. Se antes era visto como algo que poderia prejudicar a harmonia, com o avanço dos estudos, compositores passaram a utilizá-lo.
No filme Dogville, do diretor Lars Von Trier, o ruído é trabalhado de forma interessante. Ele desempenha a função de complementar o cenário construído pelo diretor. Toda a cidade elaborada por Trier fica instalada num palco. Todas as casas, ruas, jardins são representados por desenhos no chão, ou partes de estruturas que dão a idéia de um cenário. Nesse universo, o que complementa a veracidade desta cidade são os ruídos que representam as ações e movimentos convencionais da realidade. É o som da porta ao ser aberta, a maçaneta girando, o cão latindo ou o som do vento. Os sons produzidos imitam os do ambiente, tão presente no cotidiano da sociedade, mas nunca percebido. O peso da mensagem se intensifica com o uso dessas características próprias do meio que são colocadas a se perceber. Esses ruídos podem ser encontrados abundantemente no meio, porém devidos a vários fatores não são percebidos, mas ao se escutá-los, o espectador consegue notar e compreender a mensagem do diretor, mesmo quando essa se passa de forma indireta e subliminar.
Outra produção cinematográfica interessante invocar é o filme brasileiro Mutum da diretora Sandra Kogut. O longa retrata a história de Thiago, um garoto que vive num local isolado em Minas Gerais. Nesse filme, em comparação com Dogville, a trilha sonora é usada de forma semelhante e distinta ao mesmo tempo. Semelhante, pois a diretora utiliza o som ambiente para ilustrar as cenas, dando mais veracidade a história, distinta, pois em Mutum não há trilha sonora instrumental, como usado na produção de Trier, mas apenas os ruídos e o som ambiente. O que se ouve são os sons que rodeiam a vida desse personagem. As risadas das crianças, as brigas dos adultos, os animais correndo, o som do riacho, todos os tipos de sons presentes nesse cotidiano tão simples e que estão na película ressaltando de forma indireta as características desse local, que é humilde em seu contexto.
Apesar dos avanços, poucos foram os estudos produzidos nessa área. Segundo Shafer (1972), um dos grandes teóricos da música, o “ruído é o som indesejável [...] qualquer som que interfere [...] quanto mais selecionamos os sons para ouvir, mais somos progressivamente perturbados pelos sinais sonoros que interferem [...] o mundo está repleto de ruídos” (1972, p. 23). Seu trabalho foi direcionado na transformação da paisagem sonora do meio ambiente proveniente das mudanças econômicas e industriais do novo século.


O Silêncio Fala
“O silêncio não existe. Sempre está alguma coisa acontecendo que produz som” (CAGE apud VALENTE, 1999, p. 89).
Assim como os estudos sobre o ruído, as pesquisas sobre o silêncio começaram após a Segunda Guerra. Nesse momento, ele deixou de ser usado como um recurso expressivo para ser observado como elemento de grande relevância.
Um experimento de John Cage realizado na década de 1950 sobre a questão do silêncio é de extrema importância citar para poder compreender como esse elemento encontra-se no meio sonoro. Cage se trancou numa câmara anecóica, uma sala blindada em que as paredes, chão e teto são cobertos por um material absorvente que impede e elimina qualquer onda mecânica como o som. Após ter feito isso, o único ruído que pôde ouvir era o da corrente sanguínea e do seu sistema nervoso.
A conclusão que ele chegou é que ao eliminar qualquer sonoridade ou fonte sonora, ainda sobrará algo como o som do corpo. “A rigor, fisicamente e em termos absolutos, ele (o silêncio) não existe na biosfera. [...] O que chamamos costumeiramente de silêncio corresponde a uma infra-audição do ruído” (Neves apud Valente, pg. 89). Não há ausência completa do som, pois mesmo quando todos os ruídos são extirpados, ainda resta a sonoridade do corpo, o ritmo da vida, ou seja, “o silêncio essencial é a morte” (SHAFER, apud VALENTE, 1999, pg. 77).
Assim é o silêncio: introspectivo e profundo. Ele age “atuando como recurso expressivo, causando tensão, em conseqüência de expectativa” (VALENTE, 1999, p. 89). Sua presença quase não é nítida. Ele está ali, mas ao mesmo tempo não, quando todos os sons adormecem e todas as vozes e cantos morrem, resta o silêncio que sempre esteve naquele local, sendo usado para todos os fins possíveis, desde os metafóricos a explicativos ou contemplativo. Segundo Shafer (1991, p. 71) “(o) silêncio é negro [...] é um recipiente dentro do qual é colocado um evento musical [...] é uma caixa de possibilidades. Tudo pode acontecer para quebrá-lo [...] o silêncio soa”.
A questão e importância do silêncio evoluíram com o tempo. Até os estudos de Cage, trabalhava-se o silêncio como marcação para as partituras ou uma pausa entre os ritmos, uma forma de o ouvinte perceber a divisão dos ritmos proposto pelo instrumentista, mas com o desenvolvimento dos estudos de Cage, o silêncio começou a ser percebido como algo a mais, algo que vai além da ausência de som para ganhar novos contornos. Esses novos dizeres podem ser na esfera musical, artística, filosófica ou psicológica. “A ausência de som pode funcionar como ruído de código” adverte Valente (1999, p. 46) nos seus estudos sobre o ruído e o silêncio na contemporaneidade.
Em se tratando de cinema, o silêncio tanto pode ser utilizado na composição instrumental da trilha sonora, quanto como elemento metafórico no enredo da história. Nesse caso, há um silêncio para denotar algo, transmitir uma mensagem, fazendo toda uma referência aos personagens. “O silêncio é fundamental para a composição do filme, pois é nesse intervalo que os sentidos se comunicam. É no silêncio que as sensações se traduzem” (COSTA, 2001 apud COSTA, 2006, p. 110). O silêncio também pode ser colocado com outros intuitos, em certas cenas para denotar que há uma barreira, uma parede ou uma mordaça que impedem os personagens de falarem ou dizerem algo.

COSTA, Fernando Morais. O som no cinema brasileiro: revisão de uma importância indeferida. 2006. 268 f. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Universidade Federal Fluminense. Rio de Janeiro. 2006.
MORAES, J. J. .Música da modernidade: origens da música do nosso tempo. São Paulo: Editora Brasiliense. 1983
SHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Editora UNESP. 1991
VALENTE, Heloisa de Araújo Duarte. Os cantos da voz: entre o ruído e o silêncio. São Paulo: Annablume. 1999.